EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Nova missão espacial mira anãs ultrafrias em busca de mundos potencialmente habitáveis

Microssatélite canadense POET, previsto para 2029, buscará exoplanetas do tamanho da Terra em torno de estrelas pequenas e frias, ampliando as chances de encontrar ambientes propícios à vida.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/05/2026 às 05:40
Microssatélite canadense POET buscará exoplanetas em anãs ultrafrias a partir de 2029. © Foto / NASA/JPL-Caltech

O Canadá prepara o lançamento do POET, um novo microssatélite que irá ampliar a busca por exoplanetas ao focar em mundos do tamanho da Terra em órbita de anãs ultrafrias. A missão, prevista para 2029, tem como objetivo identificar alvos ideais para futuras análises atmosféricas e a procura por possíveis bioassinaturas.

A busca por vida fora da Terra avança de forma acelerada, impulsionada pelo número crescente de exoplanetas confirmados — já próximo de 6.300, segundo a NASA, incluindo mais de 200 mundos rochosos. Com telescópios cada vez mais sensíveis, a expectativa é que a descoberta de planetas do tamanho da Terra continue em ritmo crescente.

Nesse contexto, o Canadá desenvolve o POET, um microssatélite projetado para identificar exoplanetas terrestres e super-Terras ao redor de estrelas pequenas e frias, conhecidas como anãs ultrafrias. Essas estrelas abrangem os tipos K, M e as anãs marrons, estas últimas consideradas "estrelas falhas" por estarem entre planetas gigantes e estrelas de baixa massa.

Segundo o estudo que apresenta o projeto, o POET utilizará o método de trânsito, observando pequenas variações no brilho das estrelas quando um planeta passa à sua frente. Como as anãs ultrafrias têm cerca de 10% do diâmetro do Sol, a relação entre o tamanho do planeta e da estrela é maior, tornando o sinal do trânsito mais evidente — uma vantagem importante para detectar mundos pequenos.

A missão se baseia na experiência canadense com microssatélites, especialmente o MOST e o NEOSSat, lançados em 2003 e 2013. Ambos contavam com telescópios de 15 centímetros e operavam no espectro visível, voltados ao estudo de estrelas e à busca de asteroides. O MOST, por exemplo, ficou conhecido por revelar o baixíssimo albedo do exoplaneta HD 209458 b, um dos primeiros "Júpiteres quentes" estudados.

O POET, no entanto, traz avanços significativos: um telescópio maior, de 20 centímetros, e a capacidade de observar em múltiplos comprimentos de onda — do ultravioleta próximo ao infravermelho de ondas curtas. O projeto, com lançamento previsto para 2029, já discute os alvos potenciais e estima quantos e quais tipos de exoplanetas o satélite poderá localizar.

Para isso, os pesquisadores elaboraram um catálogo inicial de anãs ultrafrias que o POET poderá monitorar. A lista foi refinada com critérios como exclusão de sistemas binários e estrelas muito brilhantes, que dificultam a detecção de trânsitos. Modelos computacionais foram empregados para simular o desempenho do satélite na identificação de planetas do tamanho da Terra.

Ao final, o catálogo foi reduzido de mais de 7.200 para pouco mais de 3.000 estrelas localizadas a menos de 100 parsecs da Terra, ou 326 anos-luz. As simulações indicam que o POET poderá detectar planetas com períodos orbitais entre sete e 50 dias e raios entre uma e 2,5 vezes o da Terra. Para uma missão de um ano, os pesquisadores selecionaram entre 100 e 300 alvos prioritários.

O estudo conclui que planetas recém-descobertos orbitando anãs ultrafrias próximas seriam candidatos ideais para estudos atmosféricos. Com órbitas curtas, muitos estariam na zona habitável, tornando-se alvos valiosos para a busca de bioassinaturas com o Telescópio Espacial James Webb ou futuras missões. Assim, o POET pode abrir caminho para identificar alguns dos mundos mais promissores na busca por vida além do Sistema Solar.