'Se Verstappen for embora, vamos sentir falta, mas F-1 vai continuar', diz chefão da FIA
Presidente da FIA minimiza impacto de possível saída do piloto holandês e reforça continuidade da categoria
As críticas recorrentes de Max Verstappen ao atual regulamento da Fórmula 1 continuam repercutindo nos bastidores da categoria. Durante o GP de Miami, o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, comentou a possibilidade de o holandês antecipar sua aposentadoria e afirmou que, apesar da importância do tetracampeão, a Fórmula 1 seguirá normalmente sem ele.
“Se ele for embora nós vamos sentir falta dele, mas o esporte vai continuar. Muitas estrelas vêm e vão, e equipes. Mas a Fórmula 1 sempre vai continuar. A FIA sempre vai continuar”, declarou Ben Sulayem.
Nos bastidores, Verstappen tem demonstrado crescente insatisfação com as regras técnicas implementadas nesta temporada. O piloto da Red Bull já criticou publicamente a necessidade excessiva de gerenciamento dos carros e o impacto disso na dinâmica das corridas.
Apesar das declarações levantarem dúvidas sobre seu futuro, Ben Sulayem indicou não acreditar que Verstappen realmente queira deixar a Fórmula 1 neste momento. “Mas o que ele diz é o que ele realmente quer fazer? Eu não acho, eu realmente não acho”, questionou.
Segundo o dirigente, os dois conversaram recentemente durante o fim de semana em Miami. Ben Sulayem ainda revelou admiração pela postura competitiva do piloto da Red Bull, tanto dentro quanto fora das pistas.
Críticas ao regulamento aumentaram nesta temporada
Embora Verstappen já tenha mencionado anteriormente a ideia de encerrar a carreira antes do esperado, ele indicava que qualquer decisão só seria tomada após o término de seu contrato com a Red Bull, válido até 2028.
O cenário mudou ao longo deste ano. Incomodado com as novas características dos carros, o holandês passou a questionar mais duramente os rumos da categoria. Em entrevistas recentes, chegou a comparar a Fórmula 1 a “Mario Kart” e classificou os monopostos atuais como “Fórmula E com esteroides”.
As reclamações envolvem principalmente o sistema de recuperação de energia e o chamado “superclipping”, mecanismo que obriga os pilotos a economizarem carga elétrica em determinadas partes da pista, mesmo em aceleração máxima.
Segundo Verstappen, isso prejudica a experiência de pilotagem e afeta diretamente as disputas roda a roda, criando diferenças de velocidade consideradas artificiais.
Mesmo após mudanças promovidas pela FIA antes do GP de Miami, o piloto deixou claro que continua insatisfeito com o regulamento atual:
“O que eu disse antes sobre as regras continua igual. Ainda não está como eu gostaria de ver. Quer dizer, elas ainda continuam te punindo. Quanto mais rápido você vai nas curvas, mais lento vai na próxima reta. Então não é assim que deveria ser. Pelo menos o meu carro está funcionando um pouco melhor, então é um pouco menos estressante de dirigir”, analisou.
Montoya pede punições após críticas públicas
As declarações de Verstappen também provocaram reação de um ex-piloto. Em entrevista ao podcast Chequered Flag, da BBC, Juan Pablo Montoya criticou o tom de alguns competidores ao comentarem o regulamento. “É preciso respeitar o esporte”, afirmou.
O colombiano defendeu inclusive punições esportivas para pilotos que ultrapassem determinados limites nas críticas públicas à Fórmula 1: “(Proibi-lo de participar de uma corrida?) É, adiciona sete pontos à superlicença, oito pontos... Não importa o que você faça depois, você vai ser tirado (...) Não estou dizendo 'não seja franco', mas não venha chamar um carro de F1 de Mario Kart”, disse o ex-piloto.