Sonda SMILE é lançada para investigar como tempestades solares afetam o campo magnético da Terra
Missão europeia-chinesa fará primeiras observações de raios X do escudo magnético terrestre, auxiliando na previsão de tempestades solares que ameaçam satélites e redes tecnológicas.
A missão SMILE, fruto de uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a China, foi lançada para estudar a interação entre ventos solares extremos, explosões de plasma e o campo magnético da Terra. O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre tempestades solares capazes de danificar satélites, afetando astronautas e provocando auroras intensas.
O lançamento ocorreu em Kourou, na Guiana Francesa, utilizando um foguete Vega‑C. Cerca de cinquenta e cinco minutos após a decolagem, uma sonda se separou a 700 quilômetros de altitude e iniciou sua trajetória rumo a uma órbita altamente elíptica, que a transportava a quantidades de milhares de quilômetros da Terra.
Graças ao ponto mais distante de sua órbita, a 121 mil quilômetros sobre o Polo Norte, a SMILE permite uma observação prolongada da aurora boreal. No outro extremo, a 5 mil quilômetros acima do Polo Sul, a sonda enviará dados para a estação Bernardo O'Higgins, na Antártica.
Entre os objetivos principais está o estudo de como partículas provenientes do vento solar e de ejeções de massa coronal afetam o escudo magnético terrestre. Essas partículas, que podem viajar cerca de dois milhões de quilômetros por hora, chegam à Terra em um ou dois dias.
Tempestades solares intensas permitem que parte dessas partículas penetre na atmosfera, com potencial para afetar redes elétricas e sistemas de comunicação. Episódios históricos, como a tempestade solar de 1859, demonstram que as auroras podem atingir latitudes tropicais e causar danos tecnológicos significativos.
Para avançar no entendimento do clima espacial, a SMILE realizará as primeiras perguntas de raios X produzidas pela interação entre partículas solares e partículas neutras da alta atmosfera. A coleta de dados deve começar cerca de uma hora após a entrada em órbita.
Projetada para operar por três anos, uma missão pode ser contínua. O lançamento, inicialmente previsto para 9 de abril, foi adiado devido a um problema técnico, mas agora representa um passo importante na capacidade de prever e mitigar os efeitos de grandes explosões solares.
Por Sputnik Brasil