Após pressão, Infantino desiste de plano de 'privatizar' Copa do Mundo
'Esta proposta não prosseguirá', garantiu o presidente da Fifa
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, desistiu da proposta de criar uma empresa com investidores privados para administrar as competições organizadas pela entidade, incluindo a Copa do Mundo, projeto que havia motivado uma ameaça de boicote por parte da Uefa e levantado a oposição das confederações da Ásia (AFC) e da América do Norte e Central (Concacaf).
Em comunicado divulgado na noite desta sexta-feira (31), o cartola ítalo-suíço insistiu que a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) pretendia "fornecer uma base para fortalecer ainda mais nosso esporte em todo o mundo, especialmente nos países onde o apoio é mais necessário", mas garantiu que a iniciativa não será levada adiante.
"Após ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não são mais de acordo com o objetivo estabelecido em primeiro lugar", afirmou Infantino no comunicado publicado pela Fifa.
"Nosso propósito sempre foi — e sempre será — unir e melhorar. Dessa forma, esta proposta não prosseguirá", acrescentou. No entanto, o presidente manifestou o interesse de reunir as federações nas próximas semanas para discutir maneiras de "fazer o futebol continuar crescendo em todos os lugares, particularmente naqueles países que mais precisam de apoio".
O recuo de Infantino chega um dia depois de a Uefa anunciar que nenhuma das 55 seleções europeias participaria de competições da Fifa até que a proposta de privatização da Copa do Mundo fosse retirada. Na sequência, a AFC e a Concacaf também manifestaram oposição ao projeto — os votos dessas três confederações seriam suficientes para barrar a iniciativa.
Além disso, um conselheiro de Infantino, Carlos Cordeiro, renunciou a seu cargo na Fifa e criticou o plano da FFE. Segundo ele, tratava-se de um "mau negócio para o futebol".
O projeto previa a criação de uma empresa privada, a Fifa Forward Enterprise, para cuidar das operações comerciais e das competições organizadas pela federação. Essa companhia teria valor de mercado estimado em US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões), e a Fifa venderia para investidores uma fatia de US$ 4,2 bilhões (R$ 21 bilhões) em ações.
Esse grupo de acionistas seria liderado por Joshua Kushner, fundador da gestora de recursos Thrive Capital e irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem Infantino mantém boas relações.
O mandatário da Fifa ainda havia dado prazo até 19 de setembro para que as federações nacionais manifestassem apoio à iniciativa, ameaçando distribuir menos dinheiro para quem votasse contra a criação da FFE.