POLÍTICA

Fifa defende Infantino e critica Uefa em processo nos EUA

Entidade mundial alega que europeus promovem difamação e disputa judicial envolve documentos da Fifa Forward Enterprise.

Por Estadao Conteudo Publicado em 03/09/2026 às 20:19
O presidente da FIFA, Gianni Infantino Teresa Suarez/Pool Photo via AP.

A Fifa acusa a Uefa de protagonizar uma "campanha difamatória" contra Gianni Infantino, presidente da entidade mundial. A manifestação foi feita em processo que corre na Justiça dos Estados Unidos.

A ação foi movida pela Uefa, na tentativa de obter documentos sobre a origem, a estruturação e a avaliação da Fifa Forward Enterprise (FFE). A subsidiária esperava vender 20% de participações a investidores e captar US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões). A ideia da entidade europeia é, a partir do acesso a essa documentação, ingressar com uma ação criminal contra o presidente da Fifa na Suíça.

"Embora essas petições sejam formatadas como alegações legais com títulos e números de processo, elas são pouco mais do que comunicados de imprensa em apoio à campanha difamatória da Uefa contra a Fifa e sua liderança", disseram os representantes da Fifa ao Tribunal de Nova York, segundo noticiou o The Times.

A entidade argumenta que a Uefa não tem autoridade para iniciar a ação que pretende na Suíça. Segundo os advogados, o órgão poderia apenas comunicar alguma conduta irregular às autoridades, "que são as únicas a decidir se investigam, quem investigam e se apresentam queixa".

Além disso, a Fifa mantém uma tese que sustenta também fora dos bastidores. É reforçado que a FFE era apenas uma proposta e que precisava de aprovação das associações e do Conselho.

"A motivação econômica da Uefa era impedir que países menores tivessem a força financeira necessária para competir com a elite europeia", afirmou o documento. "Se o futebol for fortalecido no mundo em desenvolvimento, a competição global aumenta, o que, em última análise, reduz o poder de mercado da Uefa e proporciona mais concorrência para seus principais torneios", completou.

Essa tende também a ser uma das argumentações políticas de Infantino na busca por sua reeleição. As candidaturas serão oficializadas em novembro, quatro meses antes do Congresso da Fifa, em março, quando ocorre o pleito.

Cada uma das associações tem direito a um voto, com o mesmo peso. Se a eleição presidencial da Fifa tiver dois postulantes, é necessária maioria simples (50% + 1) entre os votos válidos (106).

No caso de três ou mais candidatos, é preciso obter dois terços dos votos válidos (140) em um primeiro turno. Caso contrário, quem tiver o menor percentual de votos é eliminado até que restem dois, que disputam por maioria simples.

Por enquanto, Infantino já teve apoio explícito da Confederação Africana (54 votos) e da Conmebol (10). Embora AFC e Concacaf tenham se juntado à Uefa, as confederações enfrentam dissidências.

O atual presidente soma, por ora, cerca de 75 votos. Um foco de busca por apoio está no Caribe, como explicou o Estadão. Há 25 associações com direito a voto na região, o que pode aproximar Infantino dos 100 votos.

JOSHUA KUSHNER CONTRATA FIRMA QUE ATUOU EM DESDOBRAMENTOS DA LAVA JATO PARA CONTRAPOR UEFA NOS EUA

Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, contratou Alex Spiro, advogado de Elon Musk, para representá-lo na mesma ação da Uefa nos EUA. O fundador da Thrive Capital havia sido escolhido para liderar o projeto da FFE.

O empresário era uma das conexões do plano com Donald Trump. Ele é irmão de Jared Kushner, genro e conselheiro político do governo americano. O pai dos dois é Charles Kushner, embaixador dos Estados Unidos na França e Mônaco.