Governo de SP rebate denúncias de má-higiene em presídio onde Daniel Vorcaro está preso
Relatório da Defensoria Pública apontou presença de 'alimentos azedos', 'ratos e percevejos', mas Secretaria de Administração Penitenciária afirma que situação foi apurada e manutenção está em dia
O banqueiro Daniel Vorcaro está detido desde segunda-feira (24) no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.
Em junho, uma inspeção realizada pela Defensoria Pública identificou problemas de higiene e relatos de alimentos estragados na unidade prisional.
Integrantes do Núcleo Especializado de Situação Carcerária visitaram o presídio e, segundo relatório, detentos relataram o fornecimento de alimentos azedos, especialmente feijão e leite. Além disso, foi apontada a oferta insuficiente de salada e suco, bem como a quantidade insuficiente de alimentos de modo geral. Os custodiados também mencionaram falta de produtos de higiene, como sabonetes, e infestações de ratos e percevejos.
Nesta quarta-feira, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) respondeu que a Polícia Penal do Estado de São Paulo apurou as denúncias. De acordo com a pasta, os serviços de manutenção, saúde, alimentação e fornecimento de itens básicos seguem o planejamento previsto e são monitorados regularmente pelas equipes responsáveis.
A SAP informou ainda que a última "desinsetização e desratização" no presídio foi realizada em 19 de novembro, conforme o cronograma de manutenção preventiva do estabelecimento prisional.
A defesa de Daniel Vorcaro busca um habeas corpus para o banqueiro, preso durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga supostas operações financeiras fraudulentas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo dados da SAP, a unidade tem capacidade para 841 presos. A ala destinada a detentos comuns comporta 553 pessoas, estando atualmente com 459 custodiados, de acordo com dados de terça-feira (25). Já a ala para devedores de pensão alimentícia está superlotada, com 329 presos para uma capacidade de 288.
O presídio é dividido em oito pavilhões, cada um com oito celas e capacidade para 12 presos por cela. A distribuição, conforme o relatório, é a seguinte:
Pavilhão 1: ex-integrantes de forças de segurança;
Pavilhão 2: presos midiáticos e formados em Direito;
Pavilhão 3: familiares de integrantes de forças de segurança;
Pavilhão 4: autores de feminicídio com destaque na mídia;
Pavilhões 5 a 7: presos civis;
Pavilhão 8: denominado "seguro comum", para presos não vinculados ao PCC, chamados de "oposição".
Além dos pavilhões, a unidade conta com área de inclusão para recém-chegados (três celas com capacidade para 27 pessoas cada), área disciplinar, setor de trabalho e espaço para presos em trânsito.
O cardápio do presídio prevê café da manhã às 6h, com leite, café, margarina e pão; almoço às 11h e jantar às 16h, com arroz, feijão, uma porção de legume ou vegetal, proteína e fruta. Um lanche noturno, composto por bolacha ou pão, também é servido.
Os presos devem seguir o padrão de corte de cabelo e barba exigido pelo regimento interno da SAP, com raspagem nas laterais (pente número dois) e na parte superior (número quatro), além de barba e bigode sempre raspados.