Tarifas dos EUA saem pela culatra? BRICS aprofundam laços e oferecem novas alternativas comerciais, diz professora

Nas últimas semanas, os líderes dos países-membros do BRICS realizaram conversas mútuas, demonstrando sua aderência para aprofundar laços e sua vontade em se defender do protecionismo dos EUA.
Formalmente, cada contato é apresentado como bilateral, mas a sincronia deles dá um sinal claro: os países estão dispostos a dar uma resposta coordenada à pressão tarifária.
Para debater a questão de tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra os países do bloco, Sputnik conversou com a professora de economia e finanças da Universidade PUC e especialista do Centro BRICS Laís Nascimento.
Crescentes ameaças e a imposição de tarifas aceleram a necessidade de buscar alternativas de comércio e pagamento, como é o caso do BRICS Pay e da Bolsa de Grãos do BRICS, disse a professora respondendo à questão de como as ações dos EUA podem mobilizar o BRICS para criar ferramentas econômicas alternativas.
"Ao criar instrumentos financeiros e comerciais independentes, o bloco [do BRICS] amplia a sua capacidade de negociar em condições mais justas e equilibradas, além de poder oferecer aos países do Sul Global novas alternativas frente à dependência das estruturas tradicionais que são controladas pelo Ocidente", acrescentou.
Em meados de agosto, Brasil e Rússia assinaram um memorando de entendimento sobre o início do diálogo econômico e financeiro regular para promover a cooperação econômica em meio a ameaças dos EUA sobre sanções secundárias.
A esse respeito, a especialista disse à Sputnik que o memorando marca um passo importante na promoção da cooperação econômica bilateral e reforça o compromisso entre os países.
"E ao tentar afastar os países do BRICS, como foi observado com o caso da Índia e da China, teve um efeito completamente oposto, que após alguns impasses na fronteira alguns anos atrás, agora estão retomando as relações bilaterais. Então, a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, que vai acontecer nos próximos dias, vai marcar essa reaproximação entre os dois países. E as tarifas se tornaram um desafio em comum. Então, isso estimulou maior alinhamento entre os membros frente às ameaças", ressalta Nascimento.
Citando a situação na área de importação de carne bovina do Brasil, a especialista enfatiza que neste mês de agosto o México, a Rússia e o Chile superaram o volume de importação de carne bovina brasileira, o volume dos EUA. A China também lidera o ranking das importações de carne bovina e, mesmo que o volume dos outros ainda seja mais baixo, é possível aumentar, observou.
"Geraldo Alckmin, acompanhado de ministros, nos próximos dias vai visitar também o Canadá em busca de novos mercados para os produtos brasileiros. Então, a diversificação das exportações é crucial para amenizar o efeito das tarifas e a atuação do BRICS ganha força como bloco estratégico que pode se beneficiar bastante da reorganização do comércio mundial", concluiu Laís Nascimento.
Por Sputinik Brasil