Policial civil de Pernambuco é julgado por homicídio e tentativas de assassinato em Maceió
Hélio dos Santos Gomes Júnior é acusado de matar James Charlysson Ferreira e de tentar assassinar outros quatro jovens durante uma briga em posto de combustíveis no bairro Ponta Verde, em 2022
O Tribunal do Júri da Capital será palco, nesta quinta-feira (11), do julgamento de Hélio dos Santos Gomes Júnior, policial civil de Pernambuco, acusado de matar o jovem James Charlysson Ferreira de Souza, de 19 anos, e tentar assassinar outros quatro rapazes em um posto de combustíveis localizado no bairro da Ponta Verde, em Maceió. O crime ocorreu em agosto de 2022, durante uma discussão que se transformou em violência fatal.
A acusação, feita pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), relata que o assassinato aconteceu na madrugada do dia 21 de agosto, por volta das 5h30, dentro da loja de conveniência de um posto de gasolina na Avenida Deputado José Lages. James estava acompanhado de quatro amigos, sendo que dois permaneceram fora do estabelecimento e os outros dois entraram para comprar bebidas.
Foi dentro do local que a confusão começou. De acordo com a denúncia, um dos amigos de James se irritou com o olhar fixo de Hélio, que estava aparentemente embriagado, e confrontou o policial. Mesmo com a intervenção do atendente, que reconheceu Hélio como policial e tentou apaziguar a situação, a tensão aumentou. O funcionário pediu para que o policial “deixasse para lá” ao perceber que ele sairia do local ao mesmo tempo que os jovens.
Ao sair da loja, o policial sacou uma arma de fogo e disparou contra o grupo. James foi atingido por um dos tiros e, embora tenha sido socorrido, não resistiu aos ferimentos. Após mais de um mês internado, ele faleceu no dia 6 de outubro de 2022. A causa da morte foi septicemia provocada por uma lesão intestinal decorrente do disparo. Os outros quatro rapazes foram atingidos pelos tiros, mas sobreviveram, configurando, segundo o MPAL, tentativa de homicídio.
No processo, o Ministério Público, representado pelo promotor Thiago Riff, requereu a pronúncia de Hélio pelos crimes de homicídio qualificado e quatro tentativas de homicídio qualificado, alegando que o policial agiu por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa das vítimas. Em contrapartida, a defesa de Hélio argumentou que ele agiu em legítima defesa, pedido que foi rejeitado pelo Juízo.
Apesar de ser acusado de homicídio e tentativa de assassinato, Hélio dos Santos Gomes Júnior responde ao processo em liberdade desde o início das investigações. Durante o julgamento, o tribunal ouvirá testemunhas e analisará provas técnicas, incluindo laudos balísticos e documentos médicos da vítima. Se condenado, o policial poderá cumprir pena em regime fechado.
O caso segue em andamento, e a sociedade acompanha com atenção o desfecho de um crime que chocou a capital alagoana e colocou em debate questões sobre o uso da força por autoridades policiais.