TARIFAÇO

Estudo da ApexBrasil aponta mercados alternativos para exportações de estados da Região Nordeste frente às tarifas norte-americanas

Por Assessoria Publicado em 15/09/2025 às 15:36
© AP Photo / Alexandre Meneghini

Levantamento mostra que o Ceará lidera o ranking nacional de dependência do mercado norte-americano, com 45% de suas exportações destinadas aos EUA. Estudo indica países da América do Sul, Europa, Ásia e África como mercados alternativos para os principais produtos exportados pela região

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou no dia 3 de setembro o estudo “Diversificação de Mercados por Estados Brasileiros”, que analisa o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações do Brasil. A publicação traz um recorte detalhado de todos os Estados brasileiros, apontando alternativas de mercados para os produtos mais impactados, e é parte do esforço da Agência no apoio às empresas afetadas. O material está disponível gratuitamente no site da Agência.
 

Segundo o levantamento, o Nordeste é a segunda Região brasileira mais dependente dos EUA, com 11% de suas exportações destinadas aos Estados Unidos. Nesse quesito, a Região fica atrás apenas do Sudeste (17%). Alguns estados da região apresentam alta dependência do mercado norte-americano: o Ceará lidera o ranking nacional, com 45% de suas exportações destinadas aos EUA, a exemplo de semimanufaturados de ferro e aço, pescados, água de coco e mel. A Paraíba aparece com 21,62% de vendas concentradas nesse mercado, sobretudo de mica, ardósia, água de coco e lagostas. Sergipe tem 17% de dependência em produtos como jogos de fios de velas de ignição, óleos essenciais e outras preparações alimentícias, e o Maranhão, com 13,4%, em produtos como ferro fundido bruto e produtos de origem animal impróprios para alimentação humana.
 

Outros estados do Nordeste apresentam menor dependência: Pernambuco destinou 9,4% de suas exportações para os EUA, com forte peso em produtos como torres e pórticos de ferro e aço, poliésteres, peixes, lagostas e massas alimentícias. Alagoas, com 8,8%, concentra-se em açúcares e revestimentos para construção. Na Bahia, que enviou 7,4% ao mercado americano, destacam-se derivados de petróleo, papel e celulose, pneus, pescados, mel e água de coco.
 

O Rio Grande do Norte, com 5,9%, registra 100% de suas exportações de atum (albacora-bandolim e barbatana amarela) e espadarte para os EUA, além de pedras de cantaria e peixes. Já o Piauí, com 3%, tem produtos como peixes congelados, lagostas, quercetina e mel natural.
 

“Os números mostram que o Nordeste tem grande peso nas exportações brasileiras para os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, revela uma concentração que precisa ser equilibrada. Ao apontar mercados alternativos em países na América do Sul, Europa, Ásia e África, por exemplo, o estudo oferece caminhos concretos para que os produtos nordestinos mantenham sua competitividade e ampliem sua presença internacional”, ressalta Igor Celeste, gerente Regional da ApexBrasil.
 

Mercados alternativos

Para Alagoas, o estudo aponta oportunidades principalmente na América do Sul (Uruguai, Chile e Equador), na União Europeia (França e Itália) e na Ásia (Coreia do Sul), com destaque para açúcares, ladrilhos e placas para pavimentação.
 

Na Bahia, os produtos identificados como mais impactados podem ter destinos alternativos na América do Sul (Colômbia e Chile), União Europeia (Alemanha e Bélgica) e Ásia (China e Malásia), abrangendo itens como derivados químicos, sucos, papel e mel natural.
 

O Ceará tem oportunidades na União Europeia (Alemanha e Bélgica), América do Sul (Colômbia, Chile e Equador) e África (Egito e África do Sul), com destaque para semimanufaturados de ferro e aço, pescados, sucos, ladrilhos, calçados e mel natural.
 

No Maranhão, os mercados alternativos incluem a União Europeia (Espanha e Países Baixos), Ásia (Índia e Japão), Oceania (Austrália) e América do Norte (Canadá), principalmente para ferro fundido, produtos de origem animal e pasta química de madeira.
 

Para a Paraíba, os produtos mais impactados podem ser direcionados para a Ásia (China e Japão), União Europeia (França e Alemanha) e América do Sul (Chile), com destaque para mica, sucos, lagostas e granitos.
 

Em Pernambuco, os mercados alternativos concentram-se na América do Sul (Uruguai, Argentina e Paraguai), Ásia (China e Japão) e União Europeia (Bélgica), abrangendo pescados, produtos plásticos e massas alimentícias.
 

No Piauí, as oportunidades estão na Ásia (China, Japão e Singapura), América do Norte (México e Canadá) e América do Sul (Argentina e Colômbia), com destaque para pescados, lagostas, mel e ceras vegetais.

O Rio Grande do Norte tem mercados alternativos na União Europeia (Alemanha e França), Ásia (China e Coreia do Sul) e África (Egito e Costa do Marfim), principalmente para castanha de caju, açúcares, lagostas, frutas frescas e produtos de confeitaria.

Em Sergipe, as oportunidades concentram-se na América do Sul (Chile e Colômbia), Ásia (Índia e Singapura) e União Europeia (Bélgica e Itália), abrangendo fios para velas de ignição, óleos essenciais e preparações alimentícias.
 

Levantamento nacional

O estudo da ApexBrasil identificou 195 produtos brasileiros impactados pelas tarifas, considerando o peso das exportações para os EUA em cada Unidade da Federação. A análise também aponta mercados alternativos para esses bens, com base na metodologia do Mapa de Oportunidades da Agência, que classifica os destinos em perfis de oportunidade como Abertura, Consolidação, Manutenção e Recuperação.
 

Com mais de 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países, os Estados Unidos são um dos principais destinos das exportações brasileiras, que somaram US$ 40,4 bilhões em 2024, 12% da pauta exportadora nacional. Contudo, a recente Ordem Executiva norte-americana (EO 14323), de julho de 2025, estabeleceu sobretaxas que afetam diretamente a competitividade de diversos produtos brasileiros.
 

Para Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, o estudo é um de muitos passos que a Agência tem dado para mitigar os efeitos causados pelo tarifaço: “Estamos mapeando, estado por estado, os mercados mais dependentes das exportações para os Estados Unidos, para compreender com precisão quais cadeias produtivas e setores estão mais expostos. A partir desse diagnóstico, a Apex vai atuar buscando alternativas concretas para inserir esses produtos em novos mercados, diversificando destinos e reduzindo riscos para as empresas brasileiras. Esse trabalho é paralelo à manutenção do diálogo com Washington, em articulação com o Governo Federal, para buscar soluções que minimizem os impactos imediatos das tarifas sobre nossa pauta exportadora", comentou.
 

Segundo o gerente de Inteligência de Mercado, Gustavo Ribeiro, “o objetivo da publicação é fornecer subsídios práticos para empresas e gestores públicos de todo o país, apoiando decisões de diversificação e reduzindo riscos em um cenário internacional de maior instabilidade comercial”.
 

Plano Brasil Soberano

A medida capitaneada pela ApexBrasil integra o conjunto de ações lançado pelo Governo Federal através do Plano Brasil Soberano. Medidas que visam proteger o país dos efeitos da tarifação unilateral, apoiar exportadores brasileiros, preservar empregos, incentivar investimentos em setores estratégicos e assegurar a continuidade do desenvolvimento econômico do país.
 

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