Discurso do chanceler russo na ONU reflete movimento de 'realocação do poder global', diz analista
O discurso do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, na Assembleia Geral da ONU, neste sábado (25), em Nova York, refletiu a tentativa de reposicionamento da Rússia no cenário internacional, segundo análise do cientista político Victor Missiato, em entrevista à Rádio Sputnik.
Para o especialista, a fala de Lavrov destacou a atuação russa em defesa de seus próprios interesses, mas também em alinhamento com países da Ásia, Oriente Médio e África. “É uma Rússia atuante tanto para os seus próprios interesses, mas também representando o interesse de vários outros países. E também nessa tentativa de ponte, de se estabelecer um novo tipo de relação entre países da OTAN e, principalmente, os países eurasiáticos”, afirmou.
Missiato avalia ainda que a ênfase no multilateralismo demonstra um movimento gradual de deslocamento do eixo de poder mundial, evidenciado em encontros recentes entre Rússia, China, Índia e outras nações parceiras. “Vai numa direção de realocação do poder global, que durante 500 anos da modernidade esteve centrado primeiro na Europa, depois nos Estados Unidos, sobretudo em termos culturais, geopolíticos, econômicos e sociais”, destacou.