ECONOMIA

Desdolarização: como a desconfiança dos EUA levou a valorização recorde do ouro?

Publicado em 13/10/2025 às 16:15
© AP Photo / Ilia Naimushin

Em um marco histórico nos mercados internacionais, o ouro ultrapassou na última semana marca de US$ 4.100 (R$ 22.343) por onça-troy (medida usada para pedras e metais preciosos que corresponde a 31,1 gramas), impulsionado por uma combinação de incertezas econômicas, tensões políticas e um movimento de desdolarização entre grandes economias.

Pela primeira vez na história, o ouro foi comercializado por mais de US$ 4.000 (R$ 21.802) e o contrato futuro de dezembro ultrapassou a marca de US$ 4.108 (R$ 22.390).

Esse salto expressivo ocorre em um cenário de elevada volatilidade nos mercados, agravado pela instabilidade gerada pela nova política tarifária dos Estados Unidos, esperas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve e preocupações com o futuro do dólar como âncora global — fatores que têm estimulado uma demanda intensa por ativos considerados "porto seguro".

Especialistas apontam que a alta não é apenas "momentânea", mas reflete mudanças estruturais mais amplas no sistema monetário internacional.

Desdolarização: o motor da tendência

Por trás dessa valorização está um fenômeno muitas vezes debatido: desdolarização, que é a estratégia de reduzir a dependência do dólar nas reservas, nas transações comerciais e nas relações financeiras entre nações. Isso importa para o ouro pelos seguintes motivos:

Diante disso, a corrida pelo metal representa não apenas uma onda especulativa, mas um movimento estratégico de longo prazo no tabuleiro financeiro global.

De acordo com projeções da TD Securities, a cotação pode chegar a US$ 4.400 (R$ 23.982) por onça-troy na primeira metade de 2026, mas os analistas alertam que valores altos também aumentam o risco de retrações pontuais no mercado.

Além disso, outro fator a ser considerado é a limitação da oferta física, já que a produção de ouro enfrenta altos custos de extração e expansão.


Por Sputinik Brasil