Desembargador Tutmés Ayran defende demarcação das terras indígenas e critica clima de hostilidade em Palmeira dos Índios
Um vídeo publicado nas redes sociais pelo desembargador Tutmés Ayran, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), reacendeu o debate sobre a homologação das terras indígenas Xucuru-Kariri em Palmeira dos Índios. Em tom reflexivo e contundente, o magistrado defendeu o processo de demarcação como uma “reparação histórica necessária”, condenou a desinformação e classificou a reação de parte da população como “hostil, movida por interesses pessoais e ilegítimos”.
“Se há donos das terras no Brasil, são os índios”, afirmou o desembargador. “O Brasil errou historicamente ao expropriá-los, e agora precisa reparar esse erro com civilização, respeito e justiça.”
No vídeo, Tutmés demonstra admiração pelas comunidades indígenas, descrevendo-as como “sociedades admiráveis, marcadas pela igualdade e pela coletividade”, e lamenta que setores da sociedade tenham “demonizado os índios” em razão da disputa territorial.
“Não se resolve esse problema com ódio ou desinformação. É um tema que precisa ser tratado civilizadamente, com amparo do Estado brasileiro e com respeito aos posseiros e agricultores que também têm sua história e o direito de serem indenizados de forma honesta e justa”, destacou.
“Palmeira dos Índios deve honrar seu nome e sua origem”
O desembargador também criticou manifestações que chegaram a sugerir a retirada da palavra “Índios” do nome da cidade, em protesto contra a demarcação.
“O que dá grandeza a Palmeira dos Índios é justamente o fato de ser, enfim, dos índios. Essa é a marca da identidade e da história do município, e isso precisa ser preservado”, declarou.
Tutmés Ayran ressaltou ainda que não se trata de abandonar ou desassistir os pequenos produtores, mas de encontrar “soluções civilizadas e equilibradas”, com indenizações e reassentamentos promovidos pelo Estado, de modo a evitar injustiças e confrontos.
“O Brasil já fez muito mal aos povos indígenas. Deixemos que vivam em paz. Os problemas precisam ser resolvidos pelos canais institucionais, de forma decente e transparente, sem produzir ódio, mentira ou desinformação”, concluiu.
Contexto
O vídeo foi publicado em meio à intensificação das discussões sobre a fase final do processo de homologação da Terra Indígena Xucuru-Kariri, que abrange cerca de um terço do território de Palmeira dos Índios. A FUNAI, amparada por decisões da Justiça Federal, continua realizando levantamentos técnicos das propriedades e benfeitorias na área delimitada, enquanto produtores rurais, comerciantes e famílias vivem clima de incerteza.
A fala de Tutmés Ayran ecoou fortemente entre juristas, lideranças locais e representantes indígenas, sendo vista como uma manifestação de equilíbrio e apelo à serenidade num dos momentos mais tensos da história recente do município.