'Bandido bom é bandido morto' x 'Combater não é matar': o tiro de largada das eleições de 2026
Megaoperação policial no Rio de Janeiro reacende debate sobre segurança pública e antecipa embate eleitoral entre discursos de endurecimento e propostas alternativas para o combate ao crime.
Uma megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, na última quarta-feira (29), deixou centenas de mortos e feridos e provocou uma reviravolta na agenda eleitoral do país. Pesquisas divulgadas nesta semana indicam que a maioria da população fluminense aprovou a ação, respaldando a lógica sintetizada pela frase “bandido bom é bandido morto”.
Em entrevista à Sputnik Brasil, a cientista política Clarisse Gurgel destacou que operações desse tipo são recorrentes e funcionam como instrumentos para organizar a sociedade e impulsionar a popularidade de governantes. “Quando Cláudio Castro opera, ele está valorizando vários dos ativos envolvidos em seu projeto de poder e tudo vira mercadoria: matar tem valor de troca, rende votos”, afirma.
O cientista político Jorge Chaloub ressaltou o êxito internacional desse modelo de segurança pública: “É um caminho para mobilizar popularmente a direita e algo que enquadra a esquerda não apenas no Brasil, mas no mundo. Por outro lado, a esquerda quer trazer uma narrativa de que ela também combate. Que combater não é matar.”
Para Josué Medeiros, também cientista político, as pesquisas sobre a megaoperação sugerem que há espaço para uma disputa de projetos sobre segurança pública nas próximas eleições. “É possível construir até 2026 não apenas um discurso, mas uma ação concreta da esquerda nesse tema, baseada em inteligência e com o objetivo de golpear os fluxos de financiamento do crime organizado”, avalia. Ele acrescenta que, por outro lado, o governo federal precisa saber agir diante da “indignação justificada” de trabalhadoras e trabalhadores que têm seus celulares roubados, muitas vezes ainda sendo pagos em várias prestações.