COP30 EM FOCO

Lula destaca que conflitos internacionais desviam recursos do combate às mudanças climáticas

Presidente afirma, na abertura da cúpula de líderes da COP30, que rivalidades geopolíticas dificultam ações urgentes contra o aquecimento global e defende justiça climática e protagonismo da Amazônia.

Publicado em 06/11/2025 às 12:19
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Reprodução

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (6), durante a abertura da cúpula de líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que os confrontos entre países atrasam a busca por soluções para a crise climática. "Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam recursos que deveriam ir para o combate ao aquecimento global", destacou. "Precisamos superar o descasamento entre o contexto geopolítico e a urgência climática", acrescentou.

Lula ressaltou ainda que a COP30 será o "momento da verdade". "Não podemos abandonar o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento a 1,5 grau Celsius", afirmou. "Nosso objetivo com essa cúpula de líderes em Belém é enfrentar as divergências", completou.

Segundo o presidente, a COP30 representa o "ponto culminante" de um caminho construído nos encontros do G20 e do Brics realizados no Brasil.

"Essa cúpula de líderes é uma inovação que trazemos para o universo das COPs. Podemos e devemos discutir tudo para além dos muros da convenção. Nossas palavras servirão de bússola para os próximos dias", pontuou Lula.

Lula também destacou que é um marco realizar a COP na Amazônia e lembrou que, na região, vivem povos que enfrentam o falso dilema entre prosperidade e preservação da natureza. "É justo que amazônidas indaguem o que está sendo feito para evitar o colapso climático. E interesses egoístas ainda preponderam sobre o bem comum", disse.

O discurso presidencial abordou o tema da justiça climática. Lula afirmou que será impossível conter a mudança do clima sem superar as desigualdades. "A Amazônia para o mundo é como uma bíblia: todos conhecem, mas cada um interpreta à sua maneira", comparou.

O presidente voltou a enfatizar que 2025 será um marco para o multilateralismo, celebrando os 80 anos das Nações Unidas e os dez anos do Acordo de Paris. "Passada uma década, o acordo se tornou o maior espelho das necessidades e limitações do multilateralismo", avaliou.

"Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de um mapa do caminho para, de forma planejada e justa, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos", concluiu Lula.