‘Soberania passa por tecnologia’: Brasil pode se tornar polo de semicondutores, avalia analista
Joint venture entre empresas do Brasil e da Malásia marca novo passo para reativação da indústria nacional de chips, com destaque para potencial de protagonismo brasileiro no setor
Em visita à Malásia, a ministra Luciana Santos anunciou uma joint venture entre a empresa brasileira Tellescom e a malaia Inari para a produção de semicondutores. O objetivo é reativar a indústria nacional de chips e impulsionar o Brasil na cadeia global, em articulação com a retomada do Ceitec.
O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, recurso fundamental para a fabricação de chips. Segundo o professor Claudio Miceli de Farias, ouvido pela Sputnik Brasil, a construção de chips é uma questão estratégica para a soberania nacional. Ele destaca que o país precisa desenvolver seus próprios ativos tecnológicos para não ficar refém de atores externos, que podem interromper o fornecimento a qualquer momento.
“O que o Brasil não pode ser é subserviente. Podemos ser parceiros, desde que a parceria seja bem delimitada e mapeada. O que não podemos é ser apenas provedores de terra rara, em vez de donos da tecnologia. Qualquer que seja o caminho, o Brasil precisa ser dono de tecnologia independente na produção”, afirma Farias.
O especialista ressalta ainda que o fato de o Brasil ter a segunda maior reserva de terras raras do mundo coloca o país em posição de protagonismo para a produção de semicondutores. “Temos universidades e profissionais capacitados, infraestrutura e mercado consumidor para alcançar essa posição. Não existe motivo para o Brasil não ser um polo de produção de semicondutores na América Latina e, quiçá, no Sul Global. Temos esse potencial, mas é fundamental uma política de governo que compreenda que hoje a soberania passa por tecnologia”, conclui.