Ausência de EUA e Argentina na COP30 sinaliza ruptura, diz especialista
Evento reúne 143 delegações internacionais, mas ausência de países-chave como Estados Unidos e Argentina levanta questionamentos sobre o futuro das negociações climáticas.
Com a presença de 143 delegações internacionais e 57 chefes de Estado, o Brasil abriu nesta quinta-feira (6), em Belém, a COP30, que acontece entre os dias 10 e 21 de novembro. No entanto, algumas ausências ganharam destaque durante a abertura.
Contrário ao discurso sobre o papel da humanidade na aceleração das mudanças climáticas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpriu a promessa e não viajou ao Brasil para participar da COP30. A decisão gerou críticas de diversas lideranças, como o presidente do Chile, Gabriel Boric, e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro.
O professor da UERJ, Antônio Carlos da Silva Oscar Júnior, destaca que os Estados Unidos são essenciais para as discussões climáticas, dada a relevância geopolítica da economia norte-americana. “E a ausência de um aliado tradicional dos Estados Unidos aqui na América Latina, a Argentina, também chama atenção”, ressalta.
“Quando pensamos na primeira COP realizada na América do Sul, a ausência dos nossos vizinhos é um ponto que merece destaque. É claro que há uma ampla representatividade das nações participantes, mas a falta de alguns países-chave sinaliza certa ruptura”, avalia o especialista.
Segundo ele, “a sede da COP na Amazônia passa um recado muito relevante”, lembrando que a floresta tropical sul-americana é considerada um dos tipping points (pontos de inflexão ou pontos de não retorno) que podem trazer consequências graves para o planeta.
“Cientistas identificaram pontos que estamos monitorando para entender impactos irreversíveis da mudança climática e indicaram que, muito provavelmente, já rompemos um tipping point ligado ao branqueamento de corais, devido ao aumento da temperatura dos oceanos”, conclui.
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Por Sputnik Brasil