Tarcísio afirma que operação no Rio foi bem planejada e nega registro de balas perdidas
Governador de São Paulo destaca estratégia da ação, lamenta mortes de policiais e diz que Estado não pode se render ao crime organizado
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em entrevista ao Flow Podcast nesta quinta-feira (6) que a megaoperação no Rio de Janeiro — que resultou em 121 mortes, incluindo quatro agentes de segurança — foi bem planejada e executada. “Tive bastante contato com o Cláudio Castro (PL) nesse período, até para prestar apoio, prestar solidariedade, porque eu acho que tem que ter muita coragem para fazer esse enfrentamento”, declarou.
Segundo Tarcísio, “não houve registro de civis atingidos ou de balas perdidas” durante a operação. No entanto, dados do Instituto Fogo Cruzado apontam três casos de vítimas por projéteis dispersos: um homem em situação de rua, uma mulher ferida dentro de uma academia e outro homem baleado em um ferro-velho.
O governador defendeu que o Estado não pode abandonar a população das comunidades e precisa estar presente nesses territórios. Ele ressaltou que essa situação evidencia uma “perda de soberania” do Estado sobre determinadas áreas, em contraponto ao discurso de soberania nacional adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em temas de política externa e ao tarifaço do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Tarcísio explicou que a operação seguiu a estratégia conhecida como “Martelo e Bigorna”, utilizada em ações contra forças irregulares. Segundo ele, o território foi dividido em várias unidades, que avançaram expulsando criminosos das áreas ocupadas, com o objetivo de evitar confrontos que pudessem gerar efeitos colaterais para a população civil. O governador lamentou as mortes de policiais, mas ressaltou que não combater o crime organizado seria uma “derrota maior”.
“Temos também que lamentar a morte dos policiais, porque, quando morre um policial, isso dói. Dói em quem está na linha de frente, dói em quem comanda a Polícia Militar, dói em quem está à frente do Estado”, afirmou. “Em compensação, a derrota maior seria deixar o crime organizado fazer o que está fazendo. Aí seria rendição, e o Estado não pode se render, porque aquelas pessoas que estão lá precisam da mão segura do Estado.”
O governador detalhou ainda que os criminosos foram empurrados para uma área de mata, no Morro da Misericórdia, onde o BOPE já realizava o cerco. De acordo com ele, as equipes conseguiram isolar e conter os suspeitos, tornando a operação, em sua avaliação, bem-sucedida do ponto de vista do planejamento. “Quem quis se render foi preso, mais de cem criminosos. Quem resolveu não enfrentar o Estado saiu com vida e vai responder pelos seus crimes na Justiça. Quem partiu para o enfrentamento acabou sendo neutralizado”, acrescentou.
Tarcísio destacou a aprovação majoritária da população brasileira à operação, citando pesquisa AtlasIntel que aponta 55,2% de aprovação e 42,3% de desaprovação. Ele contextualizou as operações Escudo e Verão, realizadas na Baixada Santista sob sua gestão, e afirmou que foi necessário conter o avanço e o domínio territorial do crime organizado. Segundo ele, nenhum governante toma um risco desse porte por vontade própria, e ações desse tipo só são realizadas por necessidade.
Por fim, Tarcísio mencionou um caso não especificado no Ceará como exemplo da expansão do crime organizado em outras regiões do País. “O que está acontecendo em algumas cidades do Nordeste, no Ceará por exemplo, é muito grave. O criminoso chega e diz: ‘Vaza’, e o cidadão tem que sair da sua casa, do seu patrimônio”, relatou.