Senado dos EUA barra resolução que limitaria ações militares de Trump na Venezuela
Maioria republicana impede proposta que buscava exigir autorização do Congresso para ataques, apesar de preocupações sobre escalada militar na região.
Senadores republicanos dos Estados Unidos bloquearam, nesta quinta-feira (6), uma resolução que impediria o presidente Donald Trump de atacar a Venezuela sem autorização do Congresso. A decisão veio um dia após autoridades do governo informarem aos parlamentares que Washington não planeja ataques em território venezuelano.
O Senado votou por 51 a 49, em uma decisão majoritariamente partidária, contra a medida que levaria a resolução sobre os poderes de guerra à votação. Apenas dois republicanos, correligionários de Trump, juntaram-se aos democratas em apoio à proposta, evidenciando o respaldo do partido ao reforço militar de Trump no sul do Caribe após dois meses de ataques contra embarcações na costa da Venezuela.
De acordo com informações da Reuters, o governo republicano afirma que, desde o início de setembro, as forças americanas lançaram pelo menos 16 ataques contra embarcações no Pacífico e no sul do Caribe, resultando em mais de 65 mortes.
A prolongada campanha militar aumentou as preocupações de que Trump pudesse ordenar um ataque direto à Venezuela, motivando a apresentação da resolução bipartidária. Os principais autores foram os democratas Tim Kaine, da Virgínia, e Adam Schiff, da Califórnia, além do senador republicano Rand Paul, do Kentucky.
Trump chegou a insinuar a possibilidade de ataques terrestres à Venezuela por semanas, inclusive afirmando ter autorizado a Agência Central de Inteligência (CIA) a conduzir operações secretas no país.
Posteriormente, ele negou estar considerando ataques dentro da Venezuela, mesmo enquanto Washington continuava a reforçar sua presença militar no Caribe com caças, navios de guerra e milhares de soldados.
O Secretário de Estado, Marco Rubio, e o Secretário de Guerra, Pete Hegseth, informaram líderes do Congresso, incluindo presidentes republicanos e principais democratas das comissões de segurança nacional, sobre o tema na quarta-feira (5).
"Com base nessa reunião, acredito que o governo não deseja entrar em guerra com a Venezuela", afirmou Adam Smith, principal democrata na Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes. "Mas, por outro lado, o presidente Trump é conhecido por sua abordagem... digamos... caótica. Ele muda de ideia muito rapidamente. Então, quem sabe?"