'Tirar do papel o que já existe': o que o Brasil busca na COP30 em Belém?
Evento histórico coloca Amazônia no centro das discussões globais sobre o clima e reforça protagonismo brasileiro no multilateralismo ambiental.
Pela primeira vez na história, a maior floresta tropical do mundo recebe o principal evento internacional dedicado à discussão de ações conjuntas para combater e mitigar os efeitos das mudanças climáticas, cada vez mais evidentes em todo o planeta.
Já na abertura da COP30, o Brasil colhe resultados expressivos: sua principal aposta para a cúpula, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conquistou o apoio de mais de 50 países.
O especialista em mudanças climáticas Antônio Carlos da Silva Oscar Júnior destaca, em entrevista à Sputnik Brasil, que a COP30 representa uma oportunidade para o Brasil reafirmar sua posição estratégica na pauta ambiental e seu pioneirismo na defesa do multilateralismo, tradição que, segundo ele, "vem de longa data".
Além disso, Oscar Júnior enxerga a realização do evento em Belém como uma chance de aproximar os países da realidade das florestas tropicais e, tão importante quanto, das populações tradicionais que vivem na região.
"Para o Brasil, há duas dimensões estratégicas. Primeiro, reforçar o papel do país no multilateralismo ambiental. Segundo, recentrar o debate nas pessoas, nas diferentes cosmovisões e na adaptação, e não em um balcão de negócios — crítica recorrente às COPs até a COP29", afirma o especialista.
De acordo com Oscar, o Brasil não pretende criar novos instrumentos de combate às mudanças climáticas, mas sim valorizar e tirar do papel o que já existe.
"Medidas previstas no Acordo de Paris, que completa 10 anos, já foram pensadas e discutidas, mas não implementadas plenamente. Se orbitarmos em torno do que já existe, aumentam as chances de sucesso", conclui.
Por Sputnik Brasil