DIPLOMACIA REGIONAL

Amorim alerta para riscos de presença militar dos EUA e defende proteção da América do Sul

Assessor especial da Presidência ressalta preocupação com manobras norte-americanas próximas às fronteiras brasileiras e reforça necessidade de estabilidade regional

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/11/2025 às 00:21
© Foto / Wilson Dias / Arquivo / Agência Brasil

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que Brasil e países vizinhos precisam fortalecer a proteção da América do Sul diante da intensificação da presença militar dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico.

“Temos que defender a América do Sul. Nós vivemos aqui. O Brasil tem fronteiras com dez países do continente. Não estamos falando de algo distante que se discute por razões políticas ou humanitárias, mas de algo que acontece praticamente na nossa fronteira”, declarou Amorim a jornalistas durante a COP30, em Belém.

Segundo o assessor, o aumento das tensões entre Washington e Caracas preocupa o governo brasileiro, que busca reforçar o diálogo diplomático para garantir a segurança regional. Amorim destacou ainda que qualquer conflito na América do Sul teria impacto direto sobre o Brasil e reiterou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) observa com atenção as recentes manobras militares norte-americanas.

Questionado sobre se o posicionamento crítico de Lula em relação aos EUA poderia afetar o papel do Brasil como mediador na crise, Amorim foi enfático: a prioridade do governo é assegurar a estabilidade regional, e não agradar potências externas.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que Lula viajará à Colômbia nesta sexta-feira (7) para participar da cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia (UE), com o objetivo de demonstrar solidariedade regional à Venezuela.

Ações militares e o combate ao tráfico de drogas

Nas últimas semanas, os Estados Unidos intensificaram ataques a embarcações suspeitas na região, ampliando o atrito com Caracas. O governo norte-americano argumenta que as operações fazem parte do combate ao narcotráfico, mas autoridades venezuelanas acusam Washington de usar o pretexto para desestabilizar o governo de Nicolás Maduro.

O presidente Maduro tem denunciado uma “campanha de agressão fabricada” pelos Estados Unidos, alegando envolvimento direto da CIA e afirmando que o país “está sendo alvo de uma nova tentativa de guerra”.

Os ataques sistemáticos também levantaram preocupações sobre possíveis crimes internacionais. Especialistas da ONU, em comunicado do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, alertaram para a gravidade das ações.

A Organização das Nações Unidas já classificou as operações norte-americanas como massacres ilegais, realizados por ordem de governo sem investigação judicial ou legal adequada.