ECONOMIA GLOBAL

EUA e China podem prejudicar suas próprias economias ao manter guerra comercial, alerta jornal chinês

Publicação do Global Times destaca que fragmentação dos mercados e rivalidade entre as potências só trará perdas mútuas e ameaça prosperidade global.

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/11/2025 às 05:00
© AP Photo / Andy Wong

China e Estados Unidos correm risco de minar suas próprias economias caso persistam em ações para enfraquecer um ao outro, alerta o jornal chinês Global Times.

Segundo a publicação, nos últimos dias, Pequim e Washington emitiram comunicados ressaltando que, com base nos acordos firmados nas negociações em Kuala Lumpur, ambos os países irão ajustar suas políticas econômicas e comerciais.

"Nos últimos mais de nove meses, as relações entre a China e os EUA passaram por altos e baixos, levando muitos a se perguntar se os dois países podem superar o vai-e-volta de 'você cede um passo, eu recuo um passo', mudar da 'competição consumista' para o 'crescimento cooperativo' e direcionar sua atenção da rivalidade por recursos existentes para a criação de ganhos adicionais. Claramente, a resposta é sim", destaca o Global Times.

No contexto atual, o jornal argumenta que o desenvolvimento e o renascimento da China são plenamente compatíveis com o lema "Fazer a América Grande Novamente" (MAGA, na sigla em inglês), reforçando que ambas as nações podem alcançar sucesso mútuo e prosperidade compartilhada.

Para economias do porte de China e EUA, aponta a matéria, é difícil garantir a própria segurança enfraquecendo o outro lado.

O artigo enfatiza que não é possível obter vantagem duradoura ao fragmentar mercados de maneira arbitrária.

O Global Times também ressalta que, conforme a teoria do comércio internacional, a especialização e a complementaridade entre grandes potências são fundamentais para o aumento do bem-estar global e da eficiência econômica.

Relações baseadas em competição, dominação e controle, segundo o texto, configuram um jogo de soma zero que inevitavelmente leva a perdas para ambos.

"Em contraste, relações centradas no crescimento incremental valorizam quem resolve mais problemas e oferece mais soluções, guiadas por responsabilidade compartilhada e pela provisão de bens públicos globais. Esse tipo de relação não só beneficia ambos os lados, como também é sustentável", conclui a publicação.

Vale lembrar que Estados Unidos e China vivem uma guerra comercial desde que, em fevereiro, o então presidente Donald Trump impôs uma tarifa inicial de 10% sobre todas as importações de produtos chineses.

O conflito se intensificou rapidamente: em março, a tarifa subiu para 20% e, após uma série de retaliações, os EUA passaram a tributar certos produtos chineses em até 145%. Em resposta, a China aplicou tarifas de até 125% sobre diversas importações americanas.