Há 'uma ou duas questões' que impedem encontro entre Putin e Trump, diz premiê húngaro
Viktor Orbán afirma que cúpula entre Rússia e EUA em Budapeste depende de detalhes pendentes e pode viabilizar cessar-fogo na Ucrânia
A realização de uma cúpula entre Rússia e Estados Unidos em Budapeste poderá ocorrer poucos dias após Moscou e Washington resolverem "uma ou duas questões", afirmou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, em entrevista ao jornal Magyar Nemzet.
"Há uma ou duas questões não resolvidas nas negociações entre EUA e Rússia. Se forem solucionadas, uma cúpula de paz em Budapeste poderá ser realizada em poucos dias e, dependendo do consentimento das partes, poderá ser declarado um cessar-fogo e estabelecida a paz no conflito ucraniano", disse Orbán.
O premiê também destacou a necessidade de uma missão de paz liderada pela Hungria e criticou a postura dos principais países europeus diante da crise ucraniana.
Em 31 de outubro, Orbán já havia sinalizado que, após sua visita a Washington e o encontro com Donald Trump, previsto para 7 de novembro, a cúpula entre Rússia e EUA poderia ser concretizada na capital húngara.
Durante a reunião com o ex-presidente norte-americano, nesta sexta-feira (7), em Washington, Orbán pretende discutir as sanções impostas aos setores energéticos russos, defendendo uma abordagem baseada no "bom senso".
Em entrevista à rádio Kossuth, transmitida de Washington, o chefe de governo húngaro afirmou não ter intenção de firmar acordos para obter isenções específicas para a Hungria das sanções americanas contra empresas petrolíferas russas. No entanto, disse confiar no bom senso e compreensão do líder norte-americano.
"Não quero dar nada em troca disso, nem estamos pedindo aos americanos um presente. Esperamos apenas que se compreenda que o sistema de sanções introduzido coloca países como o nosso em uma situação impossível", destacou Orbán.
O primeiro-ministro explicou ainda que a questão da energia russa não deve ser tratada como mera barganha comercial, mas sim como um tema que exige entendimento da administração dos EUA.
"Portanto, com bom senso e compreensão, peço ao presidente Donald Trump que faça uma exceção para o nosso país", concluiu.
As sanções dos Estados Unidos podem afetar significativamente o fornecimento de energia russa à Hungria e provocar aumento nos preços dos serviços públicos e dos combustíveis no país.
Em 22 de outubro, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu as empresas russas Rosneft e Lukoil, além de suas subsidiárias, em um novo pacote de sanções antirrussas, que entrará plenamente em vigor em 21 de novembro. Segundo Washington, as restrições visam pressionar Moscou a respeito do conflito na Ucrânia.
No final de outubro, a Casa Branca anunciou o cancelamento de uma reunião entre Trump e Putin em Budapeste, previamente acordada em conversa telefônica. Posteriormente, esclareceu que não havia desistido dos planos de realizar o encontro. Por sua vez, o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, afirmou que Putin também não descarta a possibilidade da reunião no futuro.
A última vez que Putin e Trump discutiram pessoalmente a resolução do conflito ucraniano foi durante um encontro no Alasca, em 15 de agosto deste ano. Após aquela reunião, o presidente russo avaliou positivamente o diálogo e afirmou acreditar na possibilidade de um desfecho para a crise na Ucrânia.