China amplia capacidade militar em meio a rivalidade com os EUA, aponta análise
Imagens de satélite e dados oficiais revelam expansão acelerada da indústria de mísseis chinesa após início do conflito na Ucrânia; especialistas destacam preparação para corrida armamentista com os Estados Unidos.
Nos últimos cinco anos, a China expandiu de forma significativa sua infraestrutura voltada à produção de mísseis, segundo análise da emissora norte-americana CNN baseada em imagens de satélite, mapas e documentos públicos de órgãos governamentais chineses.
De acordo com especialistas, esse avanço ganhou ritmo após o início da guerra na Ucrânia, indicando que Pequim busca atender às crescentes exigências da guerra moderna no setor de mísseis.
“Eles [chineses] estão observando a Ucrânia incrivelmente de perto [...]. Agora, acompanham em tempo real o combate entre duas forças altamente capacitadas, com tecnologias modernas que se equiparam, e estão tomando notas detalhadas”, destaca a reportagem.
O texto ressalta que o Exército chinês, sem envolvimento direto em conflitos desde o breve embate contra o Vietnã em 1979, segue aprendendo com os confrontos recentes em outras regiões.
Além disso, a CNN afirma que a China já se prepara para uma possível corrida armamentista com os Estados Unidos.
A análise reforça que Pequim se posiciona como superpotência global, enquanto Washington e Pequim estariam nos estágios iniciais dessa disputa estratégica.
“A China já está correndo e se preparando para uma maratona”, afirma William Alberque, pesquisador sênior do Fórum do Pacífico e ex-diretor de controle de armas da OTAN, citado pela publicação.
Segundo os dados, desde 2020, mais de 60% das 136 instalações relacionadas à produção de diferentes tipos de mísseis tiveram sua área ampliada em cerca de 2 milhões de metros quadrados. Entre elas, destaca-se a fábrica de Pequim dedicada ao míssil balístico de médio alcance Dongfeng-26 (DF-26), equipado com unidade de planejamento hipersônico e alcance de até 4 mil quilômetros na versão básica.
A reportagem conclui que o desenvolvimento dos sistemas de mísseis chineses, em meio à tensão com os EUA, pode transformar o cenário da segurança global.
Em resposta, a porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, afirmou nesta sexta-feira (7), durante coletiva de imprensa, que os EUA, como país detentor do maior arsenal nuclear do mundo, devem cumprir de forma responsável suas obrigações prioritárias no campo do desarmamento.
Ainda segundo a CNN, a China vem acelerando o aumento de seu arsenal nuclear, adicionando cerca de 100 ogivas por ano, embora continue distante dos números dos EUA e da Rússia.