MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa recua após sequência histórica, mas balanços e petróleo limitam perdas

Após 12 altas consecutivas e novo recorde, índice sente realização de lucros, queda do minério e cautela em Nova York; resultados de empresas e alta do petróleo atenuam movimento

Publicado em 07/11/2025 às 11:47
Reprodução

No último pregão da primeira semana de novembro, o Ibovespa opera em queda, após encerrar a quinta-feira, 6, com valorização pelo 12º pregão consecutivo e atingir novo recorde histórico. O recuo desta sexta-feira, 7, ocorre apesar do avanço do preço do petróleo e do crescimento do lucro trimestral da Petrobras, divulgado após o fechamento da B3.

Na quinta-feira, o índice fechou em alta de 0,03%, aos 153.338,63 pontos, renovando sua máxima histórica. "O momento está pedindo uma realização", avalia Pedro Cutolo, estrategista da ONE Wealth Management.

O principal indicador da B3 recua nesta sexta-feira, influenciado pela queda de 1,87% do minério de ferro no fechamento em Dalian. Além do balanço da Petrobras, outros resultados corporativos seguem no radar dos investidores, como Magazine Luiza, Suzano, Assaí e Lojas Renner.

A cautela também é reforçada pelo desempenho negativo das bolsas de Nova York. Investidores aguardam pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária, em meio a discursos divergentes de membros do banco central norte-americano. Também será divulgada a pesquisa de confiança e expectativas de inflação da Universidade de Michigan, enquanto o governo dos EUA enfrenta o 38º dia de shutdown.

Em Nova York, ressurgem temores sobre uma possível bolha no setor de tecnologia. A balança comercial chinesa de outubro, que apontou queda nas exportações, traz cautela, mas sem grandes alarmes, segundo Cutolo. "O dado gera muito ruído, mas uma consolidação leva mais tempo", pondera o estrategista, referindo-se aos possíveis efeitos das tarifas dos EUA sobre produtos chineses.

As preocupações com uma eventual bolha envolvendo empresas de inteligência artificial (IA) também estão em pauta, segundo William Castro Alves, economista e estrategista-chefe da Avenue. "Vimos algumas realizações, com o Nasdaq recuando após altas, mesmo com a temporada de balanços apresentando bons resultados nos Estados Unidos", afirma.

Para Castro Alves, a recente valorização em Nova York não indica uma bolha, mas sim uma mudança de avaliação, com questionamentos mais rigorosos dos investidores sobre o valor de algumas ações. Apesar da queda recente, o Nasdaq acumula alta de 19,38% em 2025.

No campo dos resultados, a Petrobras registrou lucro líquido de US$ 6 bilhões no terceiro trimestre de 2025, alta de 2,7% em um ano e de 27,3% em relação ao trimestre anterior, superando as expectativas. A estatal também aprovou dividendos de R$ 12,16 bilhões.

Para a Monte Bravo, os números apresentados pela Petrobras superaram as projeções, refletindo desempenho operacional sólido. A corretora destaca que os resultados operacionais positivos compensaram a geração de caixa, ainda pressionada por um capex ligeiramente mais elevado.

Além dos balanços do terceiro trimestre, destaca-se a decisão da China de retirar, nesta sexta-feira, a proibição de importação do frango brasileiro. O governo brasileiro também não descarta acionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para intervir novamente nas negociações com os EUA sobre as tarifas. Hoje, Lula cumpre agenda em Belém (PA), acompanhando mais um dia da Cúpula de Líderes da COP30.

Às 11h30, o Ibovespa caía 0,60%, aos 152.417,52 pontos, na mínima do dia, ante máxima de 153.344,06 pontos, próximo ao nível de abertura. As ações da Petrobras subiam 0,39% (PN) e 0,89% (ON), após oscilações, enquanto Vale recuava 2,12%. Entre os grandes bancos, o maior recuo era de 1,18% (Bradesco PN).