ARQUEOLOGIA

Arqueólogos descobrem complexo subterrâneo com murais urartianos intactos na Turquia

Pinturas de quase três mil anos revelam detalhes inéditos sobre a arte e a espiritualidade da antiga civilização de Urartu

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/11/2025 às 13:00
© Getty Images / Anadolu/Ozkan Bilgin

Uma equipe de arqueólogos fez uma das descobertas mais impressionantes dos últimos anos ao encontrar, nas proximidades da cidade de Van, no leste da Turquia, um vasto complexo subterrâneo urartiano com murais em estado excepcional de preservação.

As pinturas, datadas de cerca de três mil anos, retratam divindades, animais e cenas rituais, oferecendo uma nova perspectiva sobre o universo artístico e espiritual da antiga civilização de Urartu, até então pouco conhecido.

A escavação, conduzida pelo professor Mehmet Isikli, da Universidade Ataturk (Erzurum, Turquia), teve início após a interrupção de uma escavação ilegal em 2022.

“Esta é uma descoberta que redefine o que sabemos sobre a arte e a arquitetura urartiana. Estamos no que pode ter sido uma câmara sagrada ou real – suas paredes repletas de cores e figuras que não eram vistas há quase três mil anos”, afirmou o arqueólogo.

O complexo apresenta câmaras interligadas e longos corredores, sugerindo que o local funcionou como um importante centro cerimonial.

No interior dos túneis, os pesquisadores identificaram três faixas horizontais de murais — representando figuras divinas, humanas e animais — elaborados com pigmentos naturais sobre tijolos de barro.

De acordo com Isikli, a disposição simbólica das imagens pode indicar uma visão de mundo tripartida, com referências aos reinos celeste, terrestre e animal.

“O que vemos aqui não é apenas decoração. É um espaço narrativo cuidadosamente planejado — um espaço que conecta o divino e o humano por meio da arte e da arquitetura”, explicou o pesquisador.

Para garantir a preservação das pinturas, o local foi reforçado com suportes de ferro e sensores de umidade, e uma estrutura protetora será construída sobre o monte. Apesar das medidas de proteção, o arqueólogo ressalta que o verdadeiro valor do achado está em sua relevância histórica e estética.