COP30 | POLÍTICAS AMBIENTAIS

Fundo Amazônia x Fundo de Florestas proposto por Lula: entenda as diferenças

Novo fundo global, apresentado pelo Brasil na COP de Dubai, amplia alcance e incentivos em relação ao tradicional Fundo Amazônia, com foco na proteção de florestas tropicais de países em desenvolvimento.

Publicado em 07/11/2025 às 16:48
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva © AP Photo / Eraldo Peres

O Brasil anunciou, durante a Cúpula do Clima da ONU (COP30), o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que já soma cerca de US$ 5,5 bilhões em investimentos prometidos — destes, US$ 1 bilhão é do próprio governo federal. O anúncio foi feito na quinta-feira, 6, no primeiro dia da Cúpula de Líderes.

O volume de recursos foi celebrado como uma vitória pelo governo Lula, uma vez que a proposta, considerada inovadora, enfrentava resistência para atrair os primeiros investidores. O objetivo é alcançar US$ 10 bilhões em aportes até 2026 e atingir US$ 125 bilhões no total.

O TFFF foi apresentado pelo Brasil na COP de Dubai, em 2023, com a missão de combater o desmatamento em florestas úmidas tropicais ao redor do mundo. Esses ecossistemas são fundamentais para a regulação do clima global.

Desde 2008, o país já conta com o Fundo Amazônia, voltado à proteção da maior floresta brasileira. O fundo foi reativado em 2023, após ter sido paralisado durante o governo de Jair Bolsonaro.

Ambos os fundos condicionam os aportes à redução do desmatamento. No entanto, o TFFF também contabiliza a recuperação de áreas florestais, ampliando o potencial de ganhos para o Brasil em comparação ao Fundo Amazônia.

Além disso, o novo fundo oferece incentivos progressivos para que países beneficiários reduzam a destruição e promovam a restauração de florestas, com recursos permanentes e previsíveis para o planejamento de políticas ambientais.

Especialistas ressaltam que são necessárias múltiplas fontes de financiamento — como fundos diversos, mercados de carbono, pagamentos por serviços ambientais e concessões florestais — para garantir a proteção efetiva das florestas.

“Os fundos são complementares. Vemos essa composição como fundamental para formar o grande bolo necessário ao financiamento da natureza e de um desenvolvimento mais verde”, destaca Maurício Bianco, vice-presidente da Conservação Internacional Brasil.

Confira as principais diferenças entre os fundos:

Alcance

TFFF: Destinado à proteção de florestas tropicais em países em desenvolvimento, financiando políticas públicas de prevenção, monitoramento, combate ao desmatamento, manejo e restauração.

Fundo Amazônia: Focado no financiamento de projetos e ações contra o desmatamento e manejo sustentável na Amazônia Legal brasileira.

Modelo de financiamento

TFFF: Opera com lógica de mercado, captando investimentos públicos e privados que geram dividendos para remunerar investidores e países beneficiários.

Fundo Amazônia: Recebe doações não reembolsáveis de governos estrangeiros (principalmente Noruega e Alemanha) e empresas nacionais, e está se estruturando para captar recursos de instituições multilaterais, ONGs e pessoas físicas.

Mecanismo de repasse

TFFF: Oferece remuneração anual fixa aos países em desenvolvimento detentores de florestas, por hectare conservado ou restaurado, com percentual mínimo (20%) destinado a povos indígenas e comunidades locais. A gestão inicial é apoiada pelo Banco Mundial, com supervisão de um colegiado formado por países beneficiários e patrocinadores, garantindo critérios de elegibilidade.

Fundo Amazônia: Beneficia projetos de órgãos governamentais, ONGs e entidades que atuam na Amazônia Legal, por meio de editais. É gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com diretrizes estabelecidas pelo Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA).