MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros futuras recuam levemente em sessão de ajustes técnicos

Após comunicado mais conservador do Copom, mercado mantém cautela e aguarda divulgação da ata para novos direcionamentos sobre a Selic

Publicado em 07/11/2025 às 18:42
Reprodução / Agência Brasil

Em uma sessão de baixa movimentação para os ativos domésticos, marcada por leve queda do dólar, alta discreta da Bolsa e liquidez reduzida, as taxas de juros futuras apresentaram variação mínima ao longo da curva nesta sexta-feira, 7. O sinal positivo observado no início do pregão foi revertido durante a tarde, sem a influência de fatores claros, refletindo, segundo agentes do mercado, ajustes técnicos pontuais.

O mercado segue digerindo o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgado na última quarta-feira, 5, que reforçou a postura cautelosa e indicou não haver pressa para iniciar a redução da Selic. Diante desse cenário, investidores demonstram pouca disposição para apostar em quedas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) de curto prazo, enquanto aguardam a divulgação da ata da reunião, prevista para a próxima semana, em busca de novas sinalizações do BC.

Sem grandes catalisadores no dia e com os rendimentos dos Treasuries também estáveis, as taxas futuras oscilaram pouco no último pregão da semana. Ao final do dia, a taxa do DI para janeiro de 2027 recuou de 13,875% no ajuste anterior para mínima intradia de 13,860%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 13,088% para 13,055%, enquanto o DI para janeiro de 2031 foi de 13,398% para 13,370%.

Marcelo Bacelar, gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, avalia que o Copom adotou um tom mais duro do que parte do mercado esperava, o que influenciou especialmente os DIs de prazos mais curtos na ausência de novos gatilhos. "Alguns agentes aguardavam que o BC abrisse espaço para um corte da Selic já em janeiro, mas o comunicado reduziu essa possibilidade", explica.

Segundo Bacelar, a postura mais conservadora do Copom também impacta o chamado "miolo" da curva – os vértices de janeiro de 2028, 2029 e 2030 –, tornando-os mais rígidos. "Quanto mais o Copom adia movimentos, mais a curva perde inclinação, pois o corte da Selic pode acabar sendo mais intenso adiante", afirma. Ele acrescenta que as incertezas em torno de 2026, ano eleitoral, também justificam a cautela e a baixa volatilidade dos DIs nos últimos meses.

No acumulado da semana, apesar do tom considerado duro do Copom, a curva de juros futuros praticamente não se alterou, mantendo o perfil de inclinação nos vértices mais líquidos, conforme análise da equipe econômica do Santander. Em relação ao fechamento da sexta-feira anterior, o DI para janeiro de 2027 subiu apenas 1,5 ponto-base, enquanto as taxas para janeiro de 2029 e 2031 permaneceram praticamente estáveis.

"Em nossa avaliação, o comunicado do Copom teve tom neutro a levemente hawkish em relação ao consenso", destacam os economistas do Santander em relatório divulgado nesta sexta-feira, ao analisar o desempenho dos principais mercados domésticos na semana. O banco ressalta que a curva de juros ainda precifica a Selic a 12,5% no fim de 2026, com início do ciclo de afrouxamento monetário previsto para o primeiro trimestre do próximo ano.

Bacelar, da Azimut, acredita que, apesar da falta de catalisadores no curto prazo, a letargia do mercado de renda fixa tende a ser temporária. "Após um mês, um mês e meio de mercado morno, estaremos mais próximos de um corte da Selic, das eleições de 2026 e da renovação na diretoria do BC em dezembro", projeta. No último mês do ano, encerram-se os mandatos do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, e do diretor de Organização, Renato Gomes.