MERCADO FINANCEIRO

Com Petrobras, Ibovespa sustenta alta histórica e atinge 13ª valorização consecutiva

Impulsionado pelo desempenho da Petrobras e dos grandes bancos, índice renova recorde de fechamento e se aproxima da maior sequência positiva desde 1994

Publicado em 07/11/2025 às 18:50
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O Ibovespa contrariou as expectativas de realização de lucros nesta sexta-feira (3) e alcançou sua 13ª alta consecutiva, renovando o recorde de fechamento pela décima sessão seguida. O índice, que chegou a oscilar em meio à correção dos mercados em Nova York, fechou em alta de 0,47%, atingindo pela primeira vez os 154 mil pontos, a 154.063,53. A mínima do dia foi de 152.367,52 pontos e a máxima, de 154.065,76, com abertura em 153.338,63. O volume financeiro somou R$ 24,2 bilhões.

Com o resultado, o Ibovespa se aproxima do desempenho histórico registrado entre maio e junho de 1994, quando obteve 15 altas consecutivas durante o lançamento do real. Na primeira semana de novembro, o índice acumula valorização de 3,02%, marcando o quarto avanço semanal seguido e alta de 28,08% no ano — caminho para o melhor desempenho anual desde 2019, quando subiu 31,58%.

O principal impulso do dia veio da Petrobras, após a divulgação do balanço do terceiro trimestre e a confirmação da distribuição de cerca de R$ 12 bilhões em dividendos, em linha com o esperado pelo mercado. Apesar do desempenho negativo das principais ações do setor metálico, como Vale ON (-1,10%) e CSN ON (-1,76%), a força dos papéis da Petrobras (ON +4,83%, PN +3,77%) e a recuperação dos grandes bancos no fim do pregão garantiram a alta do índice. Bradesco e Santander encerraram nas máximas do dia, com ganhos entre 0,10% (Itaú PN) e 0,56% (Santander Unit).

No lado positivo do Ibovespa, além da Petrobras, destacaram-se MBRF (+5,86%), SLC Agrícola (+4,16%), Fleury (+3,97%) e Cyrela (+3,86%). Entre as maiores quedas do dia estiveram Cogna (-6,93%), PetroReconcavo (-6,39%) e Raízen (-5,62%).

Para José Áureo Viana, economista e sócio da Blue3 Investimentos, seria "natural" uma realização de lucros após a longa sequência de altas do Ibovespa. "O forte desempenho da Petrobras, com a distribuição de dividendos, deu sustentação ao índice no fechamento de uma semana já bastante positiva", afirma.

Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, destaca que o otimismo na Bolsa se manteve mesmo diante do tom cauteloso do Banco Central sobre a política monetária. "Apesar da incerteza quanto ao início do corte da Selic, os resultados corporativos positivos e o movimento global de rotação de ações têm impulsionado o mercado brasileiro", analisa. Ela observa ainda que a depreciação do dólar frente ao real acompanha o movimento de moedas de outros emergentes e reflete a busca por ativos alternativos além do setor de inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq fechou em leve baixa de 0,21% nesta sexta-feira, acumulando perda semanal de 3,04%. Dow Jones e S&P 500 encerraram em alta de 0,16% e 0,13%, respectivamente. No Brasil, o dólar à vista recuou 0,25%, cotado a R$ 5,3357, e acumulou queda de 0,83% na semana.

Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o mercado americano segue em correção diante da falta de dados oficiais durante o shutdown nos EUA e das dúvidas sobre o setor de tecnologia. "Essas incertezas são usadas como válvula para realização de lucros", avalia.

Apesar do cenário de menor visibilidade, a expectativa é de que o Federal Reserve volte a cortar juros em dezembro, o que pode ampliar o diferencial em relação à taxa brasileira e favorecer o real e o apetite por ações na B3.

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