RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Hungria obtém isenção de sanções dos EUA sobre energia russa após reunião com Trump

Primeiro-ministro Viktor Orbán garante permissão para continuar importando petróleo e gás da Rússia, reforçando laços com o ex-presidente americano

Publicado em 07/11/2025 às 19:53
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Reprodução

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciou que a Hungria recebeu uma isenção das sanções americanas sobre a energia russa após reunião com Donald Trump na Casa Branca, nesta sexta-feira, 7. A decisão permitirá a continuidade do fluxo de petróleo e gás russos para o país, evidenciando a proximidade entre os dois líderes.

Aliado de longa data de Trump, Orbán esteve em Washington para negociar a autorização que permite à Hungria importar petróleo e gás russos sem estar sujeita às sanções impostas pelos Estados Unidos aos combustíveis fósseis provenientes da Rússia.

Paralelamente, a Hungria enfrenta pressão da União Europeia para reduzir sua dependência da energia russa, já que a maioria dos países do bloco diminuiu ou encerrou suas importações de petróleo e gás daquele país.

Orbán classificou o acesso à energia russa como “uma questão vital” para a Hungria, que não possui saída para o mar.

Em entrevista coletiva à imprensa húngara após o encontro com Trump, o premiê afirmou que o país recebeu uma “isenção total das sanções” que afetavam o gás russo fornecido pelo gasoduto TurkStream e o petróleo do oleoduto Druzhba. A Casa Branca não se manifestou imediatamente sobre o anúncio.

Orbán também revelou que a Hungria passará a adquirir combustível nuclear da empresa americana Westinghouse Electric Company, que será utilizado na usina nuclear de Paks — até então, abastecida por insumos russos. No entanto, autoridades húngaras informaram que Budapeste continuará comprando combustível nuclear da Rússia.

O premiê esteve acompanhado por uma ampla delegação composta por membros do gabinete, líderes empresariais e influenciadores políticos de direita com fortes vínculos com o governo húngaro. Na véspera de sua chegada, um grupo bipartidário de senadores americanos apresentou resolução pedindo que a Hungria reduza a dependência da energia russa.

A resolução expressa preocupação com o fato de o país não demonstrar sinais de redução dessa dependência e pede que Budapeste adote o plano da União Europeia para encerrar todas as importações de energia russa até o fim de 2027.

Durante a visita, Orbán também se reuniu com Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em suas redes sociais, o premiê húngaro manifestou apoio ao ex-mandatário brasileiro: “Estamos firmemente ao lado dos Bolsonaros nestes tempos difíceis — amigos e aliados que nunca desistem. Continuem lutando: a perseguição política não tem lugar na democracia, a verdade e a justiça devem prevalecer!”.

Com informações da Associated Press.