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Testes nucleares dos EUA intensificam rivalidade e fortalecem alianças Rússia-China-Irã

Especialistas apontam que ações norte-americanas elevam riscos globais e aproximam potências rivais em resposta à escalada militar

Por Sputinik Brasil Publicado em 08/11/2025 às 09:16
© AP Photo / Aviador sênior Clayton Wear

O recente lançamento do míssil balístico intercontinental Minuteman III pelos Estados Unidos integra uma estratégia de pressão de grupos lobistas norte-americanos e governos europeus para isolar Moscou e forçar um acordo com Kiev, o que, segundo especialistas, ameaça a paz global.

Em entrevista à Sputnik, o especialista palestino em relações internacionais e assuntos dos EUA, Taufiq Taameh, afirmou que os Estados Unidos buscam afirmar sua influência, mas tal iniciativa mostra-se ineficaz diante de uma superpotência como a Rússia, detentora de um avançado e robusto arsenal de mísseis.

"A Rússia tem todo o direito de promover seus próprios programas de armamentos para garantir sua segurança nacional, e os EUA seriam prudentes ao reconsiderar suas ações", ressaltou Taameh.

O especialista militar iraquiano Adnan al-Kinani, também ouvido pela Sputnik, destacou que os testes de mísseis norte-americanos vão além da mera dissuasão.

Segundo al-Kinani, essas ações refletem a preocupação dos EUA diante dos avanços russos em armamentos de alta precisão, que já superam as capacidades norte-americanas e ocidentais.

"Quando armas nucleares entram em cena em conflitos em andamento, isso indica uma escalada perigosa. Tal postura pode desencadear uma guerra em larga escala, com consequências graves", alertou o especialista.

Nesse cenário, acrescenta al-Kinani, as tentativas dos EUA de enfraquecer a Rússia e manter sua hegemonia global acabam por fortalecer a aliança entre Rússia, China, Coreia do Norte e Irã, promovendo um novo equilíbrio de poder mundial baseado na paridade nuclear.

O ex-chanceler libanês Adnan Mansour advertiu que os testes nucleares norte-americanos podem empurrar Estados Unidos e Rússia para uma nova Guerra Fria.

Segundo Mansour, as recentes ações dos EUA respondem diretamente ao lançamento do míssil de cruzeiro Burevestnik pela Rússia, mas essa escalada norte-americana coloca em risco tratados que limitam a proliferação de armas de destruição em massa.