INFRAESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO

Metrô de São Paulo responde críticas da Prologis sobre desapropriação de área para Linha 20-Rosa

Empresa afirma que usará apenas 24% do terreno da antiga fábrica da Ford, em São Bernardo, e que escolha evita desapropriações residenciais

Publicado em 08/11/2025 às 13:51
Rovena Rosa/ Agência Brasil

O Metrô de São Paulo rebateu as críticas feitas pela Prologis em relação à desapropriação do terreno da antiga fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo, local onde a empresa pretendia construir um grande parque logístico. Com a desapropriação, a área será destinada ao pátio de trens da futura Linha 20-Rosa, o que, segundo a Prologis, inviabiliza o empreendimento imobiliário planejado.

Em nota enviada à Broadcast, o Metrô afirmou que utilizará apenas 24% da área total do terreno pertencente à Prologis. De acordo com a companhia, o espaço é fundamental para o funcionamento da nova linha, projetada para atender cerca de 1,4 milhão de passageiros diariamente. O órgão ressaltou ainda que a utilização desse terreno evitará a desapropriação de, no mínimo, 10 mil metros quadrados de imóveis vizinhos, incluindo residências.

"O Metrô de São Paulo estudou exaustivamente todas as alternativas técnicas para implantação do pátio da futura Linha 20-Rosa", destacou a empresa. "O terreno mostrou-se como o mais viável, pois atende a requisitos essenciais para a logística da linha, devido à sua proximidade com o traçado, o que permitirá a redução da construção de estacionamentos intermediários de trens e servirá como ponto estratégico para a partida de duas tuneladoras (tatuzões)."

O Metrô informou ainda que manteve diálogo com a Prologis e demonstrou que a área oferecida pela empresa não atenderia às necessidades técnicas das futuras instalações ferroviárias. Segundo a estatal, isso poderia inviabilizar o pátio, dificultar a construção da linha e até prejudicar o funcionamento do próprio empreendimento imobiliário, devido à necessidade de circulação de cerca de 600 caminhões diários para remoção de terra das escavações.

Para minimizar os impactos, o Metrô comprometeu-se a utilizar apenas 24% do terreno — cerca de 224 mil metros quadrados, de um total de quase 1 milhão de metros quadrados. Para efeito de comparação, o pátio Jabaquara ocupa aproximadamente 400 mil metros quadrados.

A companhia também destacou que a área a ser desapropriada será indenizada pelo valor de mercado. Embora não tenham sido divulgados valores oficiais, fontes ligadas à aquisição do terreno pela Prologis em 2024 apontam que a negociação foi fechada por R$ 850 milhões, considerando a área total.