Boulos apresenta projeto federal que amplia participação da população no orçamento
Iniciativa 'Governo na Rua' pretende envolver cidadãos na definição de prioridades e políticas públicas, mas detalhes sobre alcance ainda são incertos
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, lançou neste sábado (8) o projeto “Governo na Rua”, uma nova iniciativa do governo federal que pretende ampliar a participação popular na definição do orçamento da União.
Segundo Boulos, a proposta "não é um programa social", mas sim uma estratégia para ouvir a sociedade e construir políticas públicas direcionadas às demandas apresentadas. “É uma iniciativa que nos permite ouvir as pessoas e construir políticas públicas para essas áreas, investimentos para essas áreas, que dependem de outros ministérios do governo”, explicou o ministro.
Ele citou como exemplo a cultura periférica, que demanda articulação com o Ministério da Cultura, e as reivindicações dos entregadores de aplicativos, que são debatidas em conjunto com o Ministério do Trabalho.
Boulos destacou que, até o momento, já foram ouvidos entregadores de aplicativos, trabalhadores do regime 6 por 1, jovens das periferias, movimentos de luta por moradia e representantes da cultura periférica.
“São várias pautas que são fortes, organizadas, que têm demandas no Brasil. Não vamos só ouvi-las, como vamos chamar essas pessoas para construir políticas públicas”, afirmou o ministro.
De acordo com Boulos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incumbiu de "ajudar essa reta final do seu terceiro mandato a colocar o governo na rua, a rodar todos os cantos desse país".
“Ouvir as pessoas, conversar olho no olho, ter humildade de ouvir críticas e, ao mesmo tempo, apresentar o que o nosso governo tem feito pelo povo brasileiro, pela maioria do nosso povo”.
Para Boulos, "a democracia não é as pessoas sendo chamadas só de quatro em quatro anos para apertar um botão. A democracia é o povo ajudando na formulação das políticas públicas".
O ministro também criticou setores da elite e da direita, que, na sua avaliação, “têm povo-fobia, têm medo de povo”.
Apesar do anúncio, ainda não foram detalhados quantos recursos do orçamento federal ficam sob controle direto da população. Estudos sobre orçamento participativo apontam baixa representatividade de grupos vulneráveis: "quase 80% dos que participam do orçamento público digital têm pelo menos um bacharelado", segunda publicação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
Em breve conversa com a imprensa, Boulos também comentou a megaoperação no Rio de Janeiro, que descobriu em mais de 120 mortos. Ele afirmou que "a cabeça do crime organizado desse país não está no barraco de uma favela, muitas vezes está na lavagem de dinheiro lá na [Avenida] Faria Lima".
O ministro ressaltou que o combate ao crime "deve ser feito da maneira correta" e criticou a exploração política da violência: "Fazer demagogia em cima do sangue das pessoas dentro de uma comunidade é muito fácil".
Por Sputnik Brasil