SEGURANÇA PÚBLICA

‘Não iremos retroceder’, afirma Cláudio Castro sobre operação policial no Rio

Governador do Rio de Janeiro defende ação que deixou mais de cem mortos e diz que operação marca início de novo movimento contra o crime organizado. Entidades de direitos humanos criticam alto número de vítimas.

Publicado em 08/11/2025 às 21:43
© Sputnik / Guilherme Correia

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), declarou neste sábado (8) que a recente operação policial, responsável por mais de cem mortes em comunidades da capital fluminense, representa “o início de um movimento” de enfrentamento à criminalidade, e não um episódio isolado.

A declaração foi feita durante cerimônia no Clube Hebraica, em São Paulo (SP). Castro, que tem recebido críticas pela condução das ações de segurança pública no Rio, destacou que pesquisas indicam apoio significativo da população às operações.

Segundo o governador, a ação representa uma mudança de postura diante do avanço do crime organizado no estado.

“Nós temos uma missão, e o que aconteceu no Rio não foi uma operação, o que aconteceu no Rio foi o início de um movimento, um movimento onde os cidadãos desses estados e do Brasil todo não aguentam mais essa criminalidade.”

A megaoperação tem sido alvo de críticas de entidades de direitos humanos, especialistas em segurança pública e organizações civis, que apontam o alto número de mortos — mais de 120, segundo a Polícia Civil — como indício de uso excessivo da força e possível falha de planejamento.

Relatórios preliminares apontam que entre as vítimas há moradores sem ligação comprovada com o tráfico.

Castro ressaltou que o sentimento de insegurança é generalizado e afeta a rotina das famílias. “Os cidadãos não aguentam mais ter a sua residência roubada, o seu carro, o seu celular, não aguentam mais ter o medo de mandar o seu filho para a escola”, afirmou.

Ele comparou a situação atual com décadas anteriores, quando, segundo ele, havia mais liberdade de circulação. “Antigamente a garotada com 11, 12 anos já ia sozinha para a escola, e hoje os pais e mães da garotada de 14, 15 têm medo de deixar os seus filhos andarem livremente.”

O governador prometeu não recuar diante dos desafios. “É tempo da gente mudar essa história. Nós podemos mudar essa história e nós não iremos retroceder de forma alguma.”

Durante o pronunciamento, Castro também mencionou encontro com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para discutir segurança pública. “Tarcísio, sabendo que eu estaria em São Paulo hoje, me convidou gentilmente para tomar um café da manhã com ele.”

De acordo com Castro, o diálogo abordou medidas conjuntas entre os estados do Sudeste e do Centro-Oeste. “Aproveitamos para falar um pouco, óbvio, de segurança pública. A pauta é a nossa pauta, é a pauta de quem já vem... falando nisso desde o início de mandato.”

O governador afirmou que Tarcísio de Freitas “fez questão de parabenizar” a operação no Rio e colocou as forças paulistas “à disposição”. Ele também destacou o Consórcio da Paz, uma articulação entre governadores para integrar cadastros criminais e unificar estratégias. “Eu não tenho dúvida que a força dos entes subnacionais juntos vai fazer com que a gente consiga melhorar a segurança pública, a troca de experiência.”

Castro citou ainda a cooperação com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), como exemplo de endurecimento das políticas prisionais. “O governo Caiado tem sido um grande exemplo para nós na questão da rigidez com a política penitenciária, e isso com certeza tem muito a agregar”, afirmou.

“Cada estado, um com a política de fronteira, o outro com o combate, o outro com a lavagem de dinheiro, o outro com a inteligência, alguns com mais condição financeira, outros com menos, mas todos nós juntos temos condição. E é bacana que aqui não tem nada contra ninguém, tem a favor do povo.”