RELAÇÕES INTERNACIONAIS

EUA e Bolívia retomam relações diplomáticas após quase duas décadas

Novo presidente boliviano, Rodrigo Paz, e o subsecretário de Estado dos EUA anunciam troca de embaixadores e abertura para cooperação em diversas áreas

Publicado em 09/11/2025 às 09:27
Reprodução

Bolívia e Estados Unidos anunciaram a normalização de suas relações diplomáticas e a iminente troca de embaixadores, após quase vinte anos de distanciamento. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (data fictícia), após reunião entre o novo presidente boliviano, Rodrigo Paz, e o subsecretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, logo após a cerimônia de posse de Paz, em La Paz.

"É inusitado que não tenhamos tido embaixadores. É um passo importante e espero que possamos anunciá-los muito em breve", declarou Landau, o diplomata americano de mais alto escalão a visitar a Bolívia nos últimos anos. O último embaixador dos EUA no país foi expulso em 2008 pelo então presidente Evo Morales, que acusou envolvimento em suposta espionagem e posteriormente determinou a saída da Administração de Repressão às Drogas (DEA) e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).

Landau, que já foi embaixador no México, destacou que Washington está disposto a cooperar em diversas áreas com o novo governo boliviano. "O presidente Paz expressou seu interesse em manter uma boa relação com os Estados Unidos. De forma recíproca, também queremos boas relações e estou certo de que assim será", afirmou.

Em coletiva conjunta, Rodrigo Paz sinalizou abertura para o possível retorno da DEA ao país. "Todas as instituições, não só dos Estados Unidos, mas também de países vizinhos que desejem colaborar para tornar a Bolívia mais segura contra ilícitos, serão bem-vindas e estaremos vinculados a essas nações", declarou o presidente.

Na semana anterior à posse, Paz esteve nos Estados Unidos para reuniões com organizações financeiras internacionais, buscando apoio para superar a pior crise econômica enfrentada pela Bolívia em quatro décadas.

Durante os governos de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), a Bolívia se afastou dos Estados Unidos e integrou a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA), ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela. No entanto, o bloco suspendeu a Bolívia após as recentes aproximações do novo governo com Washington.