COP30 | LIDERANÇA CLIMÁTICA

André Corrêa do Lago na COP30: 'Quase lá não é suficiente, mudamos por escolha ou por tragédia'

Presidente da conferência reforça urgência nas ações climáticas e destaca papel do Brasil como anfitrião, convocando países ao 'mutirão global' pela implementação do Acordo de Paris

Publicado em 09/11/2025 às 12:21
André Corrêa do Lago Reprodução / Agência Brasil

O presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), André Corrêa do Lago, fez um apelo contundente para que os participantes acelerem as respostas às mudanças climáticas. “Quase lá, ao nos prepararmos para abrir juntos a COP30 em Belém. Quase lá, com o livro de Regras do Acordo de Paris. Estamos quase lá, enquanto a ambição global finalmente começa a curvar a trajetória das emissões e a transição climática se torna uma tendência irreversível”, escreveu Corrêa do Lago.

“Mas ‘quase’ não é suficiente. Precisamos ir mais rápido – para alcançar cada país, cada comunidade, cada membro da nossa família humana antes que impactos climáticos mais severos o façam”, reforçou o presidente em sua décima e última carta.

Corrêa do Lago destacou que a tomada de decisões globais em Belém, no Pará, “na foz do Amazonas”, simboliza que a liderança climática deve “brotar de suas raízes”. “Ao fazê-lo, o Brasil convida todas as nações a deslocarem não apenas o local das negociações, mas o próprio lócus da esperança – do cume do poder à fonte da vida”, escreveu. Ele lembrou ainda que os Estados-membros retornam ao Brasil, onde a Convenção foi aberta à assinatura há 33 anos. “O Brasil está pronto para recebê-los”, afirmou o embaixador.

Na carta, Corrêa do Lago ressaltou a força do multilateralismo, afirmando que os países-membros irão honrar a capacidade da humanidade de cooperar, renovar-se e agir em conjunto diante da incerteza. “Este é o momento de honrar nossa ancestralidade – em linhagem e em direito internacional. Na COP30, nossa ambição deve ser preencher lacunas pela implementação da união e da cooperação”, pontuou.

O presidente da COP30 voltou a utilizar o termo “mutirão”, já presente em sua primeira carta. “Convidamos as Partes a enxergarem o Mutirão Global como um experimento no qual cooperamos primeiro – buscando soluções em conjunto como forma de construir confiança e criar espaços de consenso”, escreveu.

Em sua mensagem final, Corrêa do Lago relembrou as outras nove cartas publicadas e mencionou o convite feito a “Partes e não-Partes para utilizarem as negociações, a Agenda de Ação, a Cúpula de Líderes e um processo inédito de mobilização global em torno de três prioridades interconectadas: (1) reforçar o multilateralismo e o regime climático; (2) conectar o regime climático à vida real das pessoas e à economia real; e (3) acelerar a implementação do Acordo de Paris para além da UNFCCC”.

Ele reforçou que a “COP30 será a COP da Verdade”, especialmente diante do cenário em que menos da metade dos países signatários do Acordo de Paris apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) mesmo após a prorrogação do prazo para o segundo semestre. “Ou decidimos mudar por escolha, juntos, ou seremos forçados a mudar pela tragédia”, alertou.

“A COP30 pode marcar o momento em que a humanidade recomeça – restaurando nossa aliança com o planeta e entre gerações. Somos privilegiados por ter sido destinado a nós o dever de fazer história como aqueles que escolheram a coragem em vez da omissão, para virar o jogo na luta climática”, concluiu Corrêa do Lago. “Devemos abraçar esse privilégio como responsabilidade.”