Forte terremoto atinge costa do Japão; alerta de tsunami é suspenso após três horas
Tremor de magnitude 6,9 provoca alerta de tsunami e interrompe serviços, mas não há registro de vítimas ou danos graves
Um forte terremoto atingiu o norte do Japão na noite de domingo, seguido por diversos tremores secundários, conforme informou a Agência Meteorológica do Japão. O episódio levou à emissão de um alerta de tsunami, posteriormente suspenso.
O abalo sísmico teve magnitude revisada para 6,9 e ocorreu a 16 quilômetros de profundidade, na costa da província de Iwate, às 17h03 do horário local.
Até o momento, não há relatos de feridos ou danos materiais significativos, tampouco de anormalidades nas duas usinas nucleares da região.
Tsunami
A agência chegou a emitir alerta para tsunami de até 1 metro ao longo da região costeira do norte, informando em seguida que a água poderia atingir até 3 metros em alguns pontos.
Um tsunami de aproximadamente 10 centímetros foi registrado nas cidades de Ofunato, na província de Iwate, e nos portos de Ominato, Miyako e Kamaishi. Posteriormente, a elevação das águas chegou a 20 centímetros na área costeira de Kuji. O tsunami em Ofunato também atingiu 20 centímetros, segundo o órgão meteorológico.
Ondas de tsunami que sucedem terremotos podem persistir por horas, atingindo repetidamente a costa e, por vezes, aumentando de intensidade ao longo do tempo.
Durante a vigência do alerta, autoridades orientaram a população a manter distância do mar e das áreas costeiras, além de alertarem para a possibilidade de novos tremores na região.
O alerta de tsunami foi suspenso cerca de três horas após o tremor inicial. No entanto, a agência meteorológica advertiu que o risco de terremotos fortes permanece por cerca de uma semana, especialmente nos próximos dois ou três dias.
Efeitos
Novos abalos foram registrados na província de Iwate, e a principal ilha mais ao norte, Hokkaido, também foi atingida pela sequência de tremores.
O nordeste do Japão é uma região historicamente propensa a terremotos, incluindo o triplo desastre de março de 2011 — terremoto, tsunami e colapso nuclear em Fukushima — ocorrido ao sul de Iwate, que resultou na morte de quase 20 mil pessoas, a maioria vítimas do tsunami, além de sérios danos à usina nuclear de Fukushima Daiichi.
Mais de uma década depois, ainda há pessoas deslocadas da zona de exclusão. Protestos continuam a ser realizados periodicamente — o mais recente no sábado — contra o que é considerado, por parte das autoridades, falta de reconhecimento dos graves riscos da energia nuclear.
Em entrevista coletiva no fim da noite de domingo, um representante da agência afirmou não haver indícios de ligação direta entre o terremoto mais recente e o de 2011, embora a região seja suscetível a grandes tremores, como outro registrado em 1992.
Os trens-bala da região foram temporariamente interrompidos, segundo a operadora ferroviária JR East. O Japão, localizado no "anel de fogo" do Pacífico, é um dos países com maior incidência de terremotos no mundo.