CÚPULA CELAC-UNIÃO EUROPEIA

Lula defende integração regional e alerta para riscos de uso da força militar na América Latina

Presidente brasileiro critica fragmentação política, exalta cooperação internacional e destaca papel do Brasil no combate ao crime e na preservação ambiental durante encontro na Colômbia

Publicado em 09/11/2025 às 14:25
© AP Photo / Eraldo Peres

Durante a quarta cúpula birregional entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, realizada neste domingo (9) na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso enfático em defesa do multilateralismo, da integração regional e da paz.

Em sua fala, Lula criticou a fragmentação política da América Latina, alertou sobre os riscos do extremismo e ressaltou o protagonismo do Brasil na cooperação internacional contra o crime e na preservação ambiental.

"Quero saudar o trabalho da Colômbia e da União Europeia pela realização desta Cúpula e expressar minhas condolências às vítimas das tempestades que atingiram o Caribe e o estado do Paraná", afirmou.

Na sequência, o presidente lamentou o enfraquecimento do projeto de integração latino-americana e o que classificou como "balcanização" da região. Segundo Lula, a América Latina voltou a se mostrar dividida e excessivamente dependente de interesses externos.

"A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa. Voltamos a conviver com as ameaças do extremismo político, da manipulação da informação e do crime organizado", declarou.

Lula também criticou o esvaziamento das cúpulas regionais, que, segundo ele, se tornaram "rituais vazios" e sem efetividade prática.

Combate ao crime organizado

Ao abordar o cenário internacional, o presidente destacou que a América Latina deve permanecer como uma região de paz, defendendo a legalidade internacional como pilar da democracia. "Democracias não combatem o crime violando o direito internacional", afirmou.

Lula ressaltou que o enfrentamento ao crime organizado requer cooperação entre os países. Nesse contexto, citou o Comando Tripartite da Tríplice Fronteira, renovado com Argentina e Paraguai, e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, inaugurado em Manaus, que reúne agentes de nove países sul-americanos para combater crimes financeiros, tráfico de drogas, armas e pessoas.

O presidente também dedicou parte de seu discurso à COP30, que será realizada em Manaus, destacando a importância da Amazônia e das florestas tropicais para o futuro do planeta.

"A COP30 é uma oportunidade para mostrar que conservar as florestas é cuidar do futuro", afirmou Lula, ressaltando o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre como solução inovadora para valorizar a preservação ambiental.

Lula defendeu a transição energética como "inevitável" e afirmou que a América Latina tem potencial para se tornar uma fonte segura e confiável de energia limpa, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.

No campo econômico, o presidente enfatizou a necessidade de fortalecer os laços comerciais com a Europa e reforçou a expectativa de conclusão do acordo Mercosul-União Europeia durante a próxima cúpula do bloco sul-americano, prevista para dezembro.

"Espero que os dois blocos possam finalmente dizer sim para o comércio internacional baseado em regras como resposta ao unilateralismo", declarou Lula, projetando a criação de um mercado de 718 milhões de pessoas.

O presidente também defendeu que novas cadeias produtivas regionais revertam o papel da América Latina como mera fornecedora de matérias-primas, abrindo caminho para maior valor agregado e geração de empregos.

Por Sputinik Brasil