TENSÃO DIPLOMÁTICA

Ministro da Defesa de Israel diz que Erdogan só verá Gaza 'com binóculo'

Declaração de Israel Katz responde a mandados de prisão emitidos pela Turquia contra autoridades israelenses e descarta participação turca em missão internacional na Faixa de Gaza.

Por Sputnik Brasil Publicado em 09/11/2025 às 16:39
© AP Photo / Darko Vojinovic

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, rejeitou categoricamente a possibilidade de participação das forças turcas em uma missão internacional de estabilização na Faixa de Gaza e afirmou que o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, "só poderá ver o enclave com binóculo".

A declaração foi feita nas redes sociais, em resposta às recentes medidas judiciais adotadas pela Turquia contra autoridades israelenses.

"Erdogan, retire seus absurdos mandados de prisão e desapareça. Eles são mais adequados para o massacre que você promoveu contra os curdos. Israel é forte e não teme nada. Gaza você só verá com binóculo", escreveu Katz.

A crise diplomática entre Israel e Turquia se intensificou após a promotoria de Istambul emitir mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o próprio Katz e dezenas de outros altos funcionários de Israel, acusando-os de genocídio na Faixa de Gaza. A promotoria turca também responsabilizou o governo israelense pelos bombardeios em massa e pela obstrução da entrega de ajuda humanitária ao enclave palestino.

Em 27 de outubro, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, já havia afirmado que Tel Aviv não permitiria a presença de militares turcos em Gaza, citando a postura hostil de Ancara em relação ao Estado de Israel. No domingo, a porta-voz do gabinete israelense, Shosh Bedrosian, confirmou que a participação da Turquia está totalmente descartada em qualquer missão internacional na região.

Paralelamente, o plano de 20 pontos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a estabilização de Gaza exclui qualquer forma de participação direta ou indireta do movimento palestino Hamas na futura administração do território. Netanyahu e outras autoridades israelenses reiteram que o objetivo de Israel é a eliminação total do grupo, tanto militar quanto politicamente.

O acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em vigor desde 10 de outubro, resultou na libertação de 20 reféns mantidos na Faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023. Em contrapartida, Israel libertou cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo alguns que cumpriam penas de prisão perpétua.