ECONOMIA

Focus: projeção suavizada do IPCA em 12 meses sobe para 4,08%

Medida ganha relevância após novo regime de metas; IPCA segue acima do teto pelo sexto mês consecutivo

Publicado em 10/11/2025 às 08:48
Banco Central do Brasil Reprodução

A mediana do relatório Focus para a inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu de 4,06% para 4,08%. Há um mês, a projeção estava em 4,13%. Esse indicador passou a ter maior relevância nas análises de mercado após a regulamentação do regime de meta de inflação contínua, que entrou em vigor neste ano.

O novo parâmetro foi descumprido pela primeira vez em 10 de julho, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA acumulou alta de 5,35% em 12 meses até junho, ultrapassando o teto da meta de 4,50% pelo sexto mês consecutivo. No mesmo dia, o Banco Central publicou uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informando que espera que a inflação acumulada em 12 meses fique abaixo do teto da meta no fim do primeiro trimestre de 2026.

Em declaração recente, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, destacou que a expectativa da instituição para o retorno da inflação ao centro da meta está alinhada ao horizonte relevante da política monetária, atualmente projetado para o primeiro trimestre de 2027. “O objetivo é o atingimento da inflação no horizonte relevante, e a cada momento estamos conduzindo a política monetária para esse atingimento”, afirmou.

Pelo novo regime, o cumprimento da meta é verificado com base na inflação acumulada em 12 meses. Caso a taxa permaneça acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo.

A meta estabelecida é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O ministro da Fazenda pode propor alterações ao Conselho Monetário Nacional (CMN), mas é necessário aguardar 36 meses para que qualquer mudança entre em vigor.

A expectativa de inflação suavizada para os próximos 12 meses é calculada com base nas projeções das instituições financeiras para o período. A cada divulgação do IPCA, a projeção do mês mais antigo é substituída pelo novo dado.

Para evitar oscilações abruptas nas expectativas devido à diferença entre o valor projetado e o realizado, o Banco Central dilui esse desvio gradualmente, do dia da divulgação até a próxima. O resultado é a chamada inflação suavizada.