BoJ sinaliza possível novo aumento de juros, aponta sumário de outubro
Documento revela que condições para elevar taxas estão quase atendidas, mas decisão dependerá de salários e cenário global
O Banco do Japão (BoJ) sinalizou que um novo aumento de juros pode estar próximo, conforme aponta o Sumário de Opiniões da reunião de política monetária realizada nos dias 29 e 30 de outubro. No documento, divulgado nesta segunda-feira, 10, um dos membros do conselho destacou que "as condições para dar mais um passo em direção à normalização da taxa de juros de política monetária praticamente já foram atendidas".
O relatório indica que a decisão sobre um novo ajuste dependerá do comportamento dos salários e do cenário econômico global. "Se não houver notícias negativas sobre a economia global ou os mercados financeiros, e se for confirmado que as empresas manterão seu comportamento ativo de definição de salários, a julgar pelos movimentos de trabalhadores e empregadores nas etapas iniciais das negociações salariais anuais da primavera, isso provavelmente levará a uma mudança de política", afirma outro trecho do documento.
Apesar de o BoJ ter mantido a taxa de juros em 0,5% ao ano, o sumário observa que as condições financeiras "permanecerão acomodatícias mesmo após o próximo aumento". O banco avaliou ainda que "a economia japonesa manteve um caminho de crescimento moderado", com impacto até o momento "limitado" em relação à política tarifária dos Estados Unidos. Sobre o cenário interno, destacou que "o novo gabinete do governo assumiu na semana passada" e que "não há informações suficientes sobre a direção ou os detalhes das políticas governamentais", o que impede incorporar seus efeitos nas projeções econômicas.
Entre os representantes do governo, não houve objeção explícita a uma eventual elevação dos juros, apenas a expectativa de que o BoJ conduza a política monetária "de forma apropriada", em cooperação estreita com as autoridades fiscais. O último aumento da taxa básica de juros pelo BoJ ocorreu em janeiro deste ano, quando passou de 0,25% para os atuais 0,5% ao ano.