MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua após trégua política nos EUA e alta inesperada da inflação na China

Moeda norte-americana cai para perto de R$ 5,30, influenciada pelo avanço das negociações no Congresso dos EUA e dados positivos da economia chinesa.

Publicado em 10/11/2025 às 09:37
Reprodução / Agência Brasil

O dólar abriu a semana em queda, renovando o movimento de baixa observado na última sexta-feira, quando fechou a R$ 5,3357, menor cotação em um mês. Nesta manhã, por volta das 9h30, a moeda americana operava próxima dos R$ 5,30, acompanhando o fortalecimento de moedas de países emergentes exportadores de commodities, após a divulgação de uma alta inesperada da inflação ao consumidor na China em outubro.

A busca por ativos de risco também foi impulsionada pelo avanço das negociações no Senado dos Estados Unidos para encerrar a paralisação do governo federal. Os senadores aprovaram, por 60 votos a 40, um acordo bipartidário que estende o financiamento do governo até janeiro, prevê uma votação em dezembro sobre os créditos fiscais do Obamacare e reverte demissões de servidores. O projeto, porém, ainda depende de aprovação na Câmara.

Na China, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,2% em outubro em relação ao mesmo mês de 2023, surpreendendo analistas que esperavam queda de 0,2%, segundo a FactSet, e revertendo o recuo de 0,3% registrado em setembro.

O governo chinês também anunciou a suspensão de sanções a estaleiros sul-coreanos e flexibilizou as exportações de minerais críticos — como gálio, germânio, antimônio e grafite — após uma trégua comercial com Washington. As restrições haviam sido impostas em 2024 como resposta aos controles dos EUA sobre chips avançados.

No cenário doméstico, a agenda econômica está esvaziada, e os investidores aguardam a divulgação do IPCA e da ata do Copom, ambos previstos para amanhã.

De acordo com o boletim Focus, a projeção suavizada do IPCA em 12 meses passou de 4,06% para 4,08%. Para 2025 e 2026, as medianas das projeções de inflação permanecem em 4,55% — acima do teto da meta — e 4,20%, respectivamente.

O IPC-S apresentou alta de 0,23% na primeira quadrissemana de novembro, acumulando avanço de 3,98% em 12 meses, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a participação da Anatel na operacionalização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital.

Nos Estados Unidos, um tribunal federal de apelações rejeitou pedido do governo Trump para suspender o pagamento integral dos benefícios de assistência alimentar de novembro, determinando a liberação dos valores em até 48 horas, salvo decisão contrária da Suprema Corte.

No Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que trabalhará para definir uma nova meta fiscal que permita maior flexibilidade nos gastos públicos. Ela também reiterou apelos para que o Banco do Japão (BoJ) reduza o ritmo de elevação das taxas de juros. Segundo o Sumário de Opiniões da reunião de política monetária de 29 e 30 de outubro, um novo aumento de juros pode estar próximo.