ECONOMIA DOS EUA

Dirigente do Fed destaca resiliência econômica, mudança nos riscos e manutenção de política restritiva

Mary Daly, do Fed de São Francisco, avalia que inflação segue em queda, mas mercado de trabalho mostra sinais de enfraquecimento. Política monetária deve permanecer cautelosa diante de desafios e lições históricas.

Publicado em 10/11/2025 às 10:46
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A presidente do Federal Reserve (Fed) de São Francisco, Mary Daly, afirmou que a economia dos Estados Unidos tem se mostrado "notavelmente resiliente" em 2024, mesmo diante de mudanças na política governamental — como tarifas, imigração, desregulação e impostos — e do avanço tecnológico impulsionado pela inteligência artificial (IA). Em ensaio publicado nesta segunda-feira, Daly observou que a inflação, "descontando o impacto das tarifas sobre os preços de bens, vem diminuindo gradualmente, embora ainda esteja elevada".

Daly ressaltou que "o equilíbrio dos riscos mudou claramente", citando o rápido enfraquecimento do mercado de trabalho e a inflação abaixo do esperado como justificativas para os cortes de 50 pontos-base nas taxas de juros acumulados neste ano. Segundo ela, tais decisões refletem uma "gestão prudente de riscos".

Ela destacou ainda que a política monetária permanece "moderadamente restritiva para reduzir ainda mais a inflação".

Na avaliação da dirigente, o recente enfraquecimento do emprego não resulta apenas da menor imigração, mas também de "um choque negativo de demanda". "A demanda por trabalhadores caiu — coincidindo com a queda na oferta de mão de obra", escreveu.

Daly acrescentou que, até o momento, o impacto das tarifas "permanece amplamente restrito aos bens", sem contágio relevante aos serviços ou às expectativas de inflação.

Por fim, Daly alertou para o dilema entre repetir erros do passado e perder oportunidades futuras. Em seu ensaio, ela comparou o cenário atual a dois períodos históricos: os anos 1970, quando o Fed reduziu juros cedo demais e permitiu que a inflação se enraizasse, e os anos 1990, quando a revolução tecnológica impulsionou o crescimento sem pressionar os preços, graças a uma política monetária equilibrada. "Não queremos trabalhar tanto para não ser os anos 1970 a ponto de cortar a possibilidade dos anos 1990", afirmou. "Acertar a política exigirá uma mente aberta e a busca por evidências em ambos os lados do debate."