Lula afirma que é mais barato investir US$ 1,3 trilhão no clima do que gastar com guerras
Presidente defende legado da COP-30 em Belém, critica gastos militares e cobra ação global contra negacionismo climático
No discurso de abertura da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um desagravo à cidade de Belém e destacou as dificuldades de realizar o evento no coração da Amazônia. Lula também criticou os altos gastos com conflitos armados e reiterou a necessidade de um planejamento para a transição do uso de petróleo, tema já abordado por ele na semana anterior, durante a cúpula de líderes que antecedeu a conferência.
"Fazer a COP aqui é um desafio tão grande quanto acabar com a poluição do planeta Terra. Teria sido mais fácil realizar a COP em uma cidade já estruturada, sem problemas, mas optamos por aceitar o desafio", afirmou.
O presidente ressaltou que as obras realizadas para a COP-30 deixarão um legado para a população de Belém. Ele reforçou que a Amazônia não é uma "entidade abstrata", mas sim um território habitado por pessoas com desafios reais, que o governo busca superar. "São desafios que o Brasil enfrenta com a mesma determinação com que superou as adversidades logísticas de organizar uma conferência deste porte", acrescentou.
Lula voltou a abordar temas já defendidos durante a Cúpula de Líderes, enviando mensagens aos países em guerra e cobrando mais investimentos em ações climáticas.
"Parabéns, delegados e delegadas. Parabéns por darem a todos nós essa lição de civilidade e grandeza humana, provando que, se os homens que fazem guerra estivessem aqui nesta COP, perceberiam que é muito mais barato investir US$ 1,3 trilhão para combater o problema climático do que gastar US$ 2,7 trilhões em guerras, como ocorreu no ano passado", declarou.
O presidente também criticou líderes que desacreditam o aquecimento global. "É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas", afirmou.
Lula citou tragédias climáticas recentes para reforçar a urgência de avançar em ações de resposta. Ele mencionou o tornado que atingiu o Paraná, deixando seis mortos. "A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro, é uma tragédia do presente. O furacão Melissa, que atingiu o Caribe, e o tornado no estado do Paraná, no sul do Brasil, deixaram vítimas fatais e um rastro de destruição", destacou.