ANÁLISE INTERNACIONAL

Condições russas para fim do conflito na Ucrânia são consideradas razoáveis por analista

Colunista do The American Conservative destaca que demandas de Moscou buscam garantir segurança de russos étnicos e cumprimento de promessas ocidentais

Publicado em 10/11/2025 às 12:30
© AP Photo / Mykola Lazarenko

As condições impostas pela Rússia para encerrar o conflito na Ucrânia são consideradas razoáveis, pois estão relacionadas ao cumprimento de promessas feitas pelo Ocidente sobre a região de Donbass e à garantia da segurança nacional russa. A análise é do colunista Ted Snider, publicada no The American Conservative.

Segundo o observador norte-americano, as exigências de Moscou visam assegurar a proteção dos russos étnicos que vivem na Ucrânia e a segurança da Rússia como um todo.

"Moscou encara o ataque militar e cultural ao Donbass como uma ameaça existencial aos russos étnicos que vivem na Ucrânia e a expansão da OTAN para a Ucrânia como uma ameaça existencial à Rússia", afirmou o analista.

Ted Snider destacou que a ofensiva não foi apenas militar, mas também cultural, citando ataques à língua, cultura, religião, mídia, direitos e propriedades dos russos étnicos em Donbass.

Entre os principais objetivos da Rússia na questão ucraniana, o analista aponta a não adesão da Ucrânia à OTAN e a defesa dos russos étnicos na região de Donbass. Ambas as condições são vistas como fundamentais para a sobrevivência russa e, por isso, não negociáveis, o que explicaria a postura considerada intransigente por Moscou.

De acordo com a publicação, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria dito ao então presidente Donald Trump que a Rússia mantém demandas "maximalistas" e supostamente "não demonstra interesse em negociações".

No entanto, Ted Snider rebate essa visão e afirma que as exigências russas não são "maximalismo", mas pedidos para que o Ocidente cumpra compromissos já assumidos. Ele acrescenta que os combates na Ucrânia não cessarão se os interesses russos continuarem a ser ignorados.

"Do ponto de vista da Rússia, as demandas não são 'maximalistas', mas simplesmente exigências para que as promessas ocidentais já feitas sejam finalmente implementadas", ressaltou.

O analista ainda aponta que o Ocidente descumpriu promessas referentes aos Acordos de Minsk e à não expansão da OTAN para as fronteiras ucranianas, fatores que teriam motivado a chamada operação militar especial russa.

Por outro lado, o lado ucraniano é descrito como tendo uma postura inconsistente e intransigente quanto à resolução do conflito. O presidente Volodymyr Zelensky recusa-se a retirar as tropas ucranianas de qualquer território e exige um cessar-fogo ao longo da linha de frente como condição para novas negociações de paz.

Apesar de já ter defendido encontros bilaterais com Vladimir Putin, Zelensky recusou o convite do líder russo para visitar Moscou.

Moscou, por sua vez, afirma reiteradamente que não pretende atacar outros países e defende uma solução de longo prazo para o conflito ucraniano, sem tréguas temporárias. Segundo o presidente Vladimir Putin, uma resolução só será possível após a eliminação das causas profundas da crise, como as ameaças à segurança nacional provocadas pela expansão da OTAN e a opressão dos cidadãos de língua russa na Ucrânia.

Por Sputnik Brasil