Condições russas para fim do conflito na Ucrânia são consideradas razoáveis por analista
Colunista do The American Conservative destaca que demandas de Moscou buscam garantir segurança de russos étnicos e cumprimento de promessas ocidentais
As condições impostas pela Rússia para encerrar o conflito na Ucrânia são consideradas razoáveis, pois estão relacionadas ao cumprimento de promessas feitas pelo Ocidente sobre a região de Donbass e à garantia da segurança nacional russa. A análise é do colunista Ted Snider, publicada no The American Conservative.
Segundo o observador norte-americano, as exigências de Moscou visam assegurar a proteção dos russos étnicos que vivem na Ucrânia e a segurança da Rússia como um todo.
"Moscou encara o ataque militar e cultural ao Donbass como uma ameaça existencial aos russos étnicos que vivem na Ucrânia e a expansão da OTAN para a Ucrânia como uma ameaça existencial à Rússia", afirmou o analista.
Ted Snider destacou que a ofensiva não foi apenas militar, mas também cultural, citando ataques à língua, cultura, religião, mídia, direitos e propriedades dos russos étnicos em Donbass.
Entre os principais objetivos da Rússia na questão ucraniana, o analista aponta a não adesão da Ucrânia à OTAN e a defesa dos russos étnicos na região de Donbass. Ambas as condições são vistas como fundamentais para a sobrevivência russa e, por isso, não negociáveis, o que explicaria a postura considerada intransigente por Moscou.
De acordo com a publicação, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria dito ao então presidente Donald Trump que a Rússia mantém demandas "maximalistas" e supostamente "não demonstra interesse em negociações".
No entanto, Ted Snider rebate essa visão e afirma que as exigências russas não são "maximalismo", mas pedidos para que o Ocidente cumpra compromissos já assumidos. Ele acrescenta que os combates na Ucrânia não cessarão se os interesses russos continuarem a ser ignorados.
"Do ponto de vista da Rússia, as demandas não são 'maximalistas', mas simplesmente exigências para que as promessas ocidentais já feitas sejam finalmente implementadas", ressaltou.
O analista ainda aponta que o Ocidente descumpriu promessas referentes aos Acordos de Minsk e à não expansão da OTAN para as fronteiras ucranianas, fatores que teriam motivado a chamada operação militar especial russa.
Por outro lado, o lado ucraniano é descrito como tendo uma postura inconsistente e intransigente quanto à resolução do conflito. O presidente Volodymyr Zelensky recusa-se a retirar as tropas ucranianas de qualquer território e exige um cessar-fogo ao longo da linha de frente como condição para novas negociações de paz.
Apesar de já ter defendido encontros bilaterais com Vladimir Putin, Zelensky recusou o convite do líder russo para visitar Moscou.
Moscou, por sua vez, afirma reiteradamente que não pretende atacar outros países e defende uma solução de longo prazo para o conflito ucraniano, sem tréguas temporárias. Segundo o presidente Vladimir Putin, uma resolução só será possível após a eliminação das causas profundas da crise, como as ameaças à segurança nacional provocadas pela expansão da OTAN e a opressão dos cidadãos de língua russa na Ucrânia.
Por Sputnik Brasil