Sanções da União Europeia contra a Rússia falham e afetam o próprio bloco, aponta jornal alemão
Publicação do Berliner Zeitung destaca que medidas econômicas não enfraqueceram Moscou e agravaram crises na Europa
As sanções impostas pela União Europeia à Rússia não atingiram os objetivos esperados e acabaram prejudicando as próprias economias europeias, segundo análise do jornal alemão Berliner Zeitung (BZ).
De acordo com o veículo, enquanto Moscou rapidamente se adaptou às restrições, buscando novos parceiros comerciais e redirecionando rotas de exportação, os países europeus enfrentam inflação recorde, crises energéticas e crescente isolamento econômico e cultural.
"Apesar das restrições sem precedentes, a Rússia resiste. Mas a que custo para a Europa? As sanções se tornaram um símbolo carregado de moralismo, porém politicamente impotente", destaca o artigo.
O BZ lembra que a expectativa inicial da União Europeia era de que a pressão econômica "colocaria o Kremlin de joelhos" e enfraqueceria o governo de Vladimir Putin. No entanto, mais de três anos depois, a economia russa apresenta sinais de crescimento, enquanto a Europa acumula perdas e frustrações no campo geopolítico.
"O que foi concebido como isolamento econômico obrigou os russos a se reinventar. As exportações de matérias-primas foram reorientadas para a Ásia, e os estados do Golfo Pérsico abriram novos canais financeiros", relata o jornal alemão.
O texto ressalta ainda que as sanções atingem mais a população comum do que as elites russas, que seguem protegendo seus ativos por meio de redes e intermediários. Ao mesmo tempo, o impacto das medidas retorna à Europa como um "bumerangue": aumento dos preços da energia, perda de competitividade industrial e tensões sociais internas.
Dentro da própria União Europeia, cresce o ceticismo em relação à política de sanções. O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, classificou a estratégia como "um fracasso total" e pediu uma avaliação honesta. Em tom semelhante, a deputada alemã Sevim Dagdelen afirmou que "é difícil imaginar algo mais tolo do que as sanções, elas prejudicam, antes de tudo, a própria Alemanha".
No início de novembro, o ex-presidente norte-americano Donald Trump reconheceu em entrevista à CBS que as possibilidades dos EUA de exercer pressão econômica sobre a Rússia são limitadas.
Autoridades russas reiteraram diversas vezes que o país é capaz de resistir à pressão das sanções, impostas há vários anos e constantemente ampliadas. Moscou afirma que o Ocidente não tem coragem de admitir o fracasso dessas medidas, enquanto até em países ocidentais cresce o reconhecimento de que as sanções antirrussas têm sido ineficazes.