COP-30: Governo amplia monitoramento de cidades sob risco climático
Cemaden vai aumentar cobertura e governo propõe fundo para prevenção de desastres; sistema de dados georreferenciados será nacionalizado
O governo brasileiro vai expandir a atuação do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Até 2026, o órgão, que atualmente monitora 1.133 municípios, passará a acompanhar 1.942 cidades, alcançando cerca de 70% da população do país.
O Brasil tem enfrentado sucessivos desastres ambientais, como as recentes chuvas no Rio Grande do Sul, a seca na Amazônia e, na última semana, a passagem de três tornados pelo Paraná, que resultaram em seis mortes. Diante desse cenário, a adaptação climática tornou-se uma das prioridades do governo brasileiro na Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30).
"O convênio vai na direção de levar o que temos disponível de tecnologia para as cidades", afirmou ao Estadão a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Informações georreferenciadas
O Cemaden, principal órgão de monitoramento de desastres do país, já enfrentou crises de financiamento e falta de pessoal. Além da ampliação, o governo trabalha para disponibilizar dados já existentes a estados e municípios, permitindo que esses entes desenvolvam políticas de adaptação às mudanças climáticas.
Uma das propostas é criar um Sistema Nacional de Informações Georreferenciadas, que permita o compartilhamento de dados. Atualmente, esse modelo está presente apenas nas regiões metropolitanas de Belém (PA), Florianópolis (SC) e Teresina (PI), mas a ideia é expandi-lo para todo o país.
"Vamos colocar o Cemaden, que tem estações geológicas e hidrológicas — que monitoram alagamentos e deslizamentos de barreiras —, à disposição das cidades. Faremos um acordo para viabilizar o uso dessas estações, além de radar meteorológico e outros dados", explicou Luciana Santos.
Fundo de prevenção a desastres
Outra iniciativa do governo é a criação de um fundo para financiar projetos de prevenção a desastres em municípios de pequeno e médio porte, tornando-os mais resilientes às mudanças do clima. Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, haverá um aporte inicial de R$ 100 milhões, com a expectativa de atrair investimentos do setor privado.
O ministro se reuniu com representantes da União Europeia para buscar apoio à iniciativa. O funcionamento do fundo ainda está em definição e pode ser incorporado ao Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Fierce). "O que percebemos é que muitos projetos que chegam até nós não são consistentes. Precisamos financiar não só a execução, mas também a elaboração desses projetos", destacou Jader Filho ao Estadão.
Inovação agrícola
Nesta segunda-feira, 10, será anunciado um pacote de inovação agrícola, com recursos bilionários do setor privado para impulsionar a adaptação à mudança do clima. A definição de uma meta global de adaptação é um dos principais itens da agenda da COP-30, com a expectativa de que os países estabeleçam indicadores para medir o progresso mundial nessa área. Atualmente, cerca de cem indicadores — abrangendo saúde, educação e outros setores — estão em discussão entre os negociadores.
Assim como em outras frentes de negociação, o financiamento das medidas de adaptação é o ponto mais sensível. O governo brasileiro acompanha o tema de perto, sobretudo diante dos recentes desastres naturais no país.
Em entrevista ao Estadão, o presidente da COP-30, André Corrêa do Lago, afirmou: "Gostaria muito que essa COP fosse lembrada como uma COP de adaptação".