Governo utiliza mão de obra de detentos para ajudar na recuperação de Rio Bonito do Iguaçu após tornado
Presos de Guarapuava e Cascavel participam de limpeza e reconstrução de escolas e creches; Estado anuncia moradias emergenciais e medidas de apoio para famílias afetadas
Detentos de unidades prisionais do Paraná estão contribuindo com os trabalhos de reconstrução em Rio Bonito do Iguaçu, cidade devastada por um tornado na última sexta-feira, 7. O fenômeno, que registrou ventos de até 330 km/h, destruiu cerca de 90% das construções do município, resultando em seis mortes e deixando 750 pessoas feridas. Os presos atuarão especialmente na reconstrução de escolas, creches e demais estruturas de ensino impactadas pelo desastre.
Nesta segunda-feira, 10, um grupo de 14 detentos de Guarapuava já trabalhava na remoção de entulhos e limpeza das unidades escolares. Outros 16 presos, vindos da regional de Cascavel, reforçarão o grupo a partir desta terça-feira, 11. A iniciativa integra o programa Mãos Amigas e conta com a supervisão de monitores da Polícia Penal.
Moradias emergenciais e apoio às famílias
O governo do Paraná anunciou a construção emergencial de 320 casas destinadas a famílias de baixa renda que perderam seus lares. As moradias serão entregues gratuitamente e a execução ficará a cargo de empresas participantes do programa Casa Fácil. As obras terão início assim que os diagnósticos técnicos dos terrenos forem concluídos pelas equipes de engenharia.
De acordo com Jorge Lange, presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), cada residência terá aproximadamente 45 metros quadrados. "Temos um valor de referência por metro quadrado no Casa Fácil e vamos definir um preço específico para essas construções. Ainda nesta semana será lançado o chamamento público para as empresas interessadas, priorizando aquelas que oferecerem menor prazo de entrega", afirmou Lange. A expectativa é que os primeiros lotes de moradias estejam prontos em até 90 dias.
Para famílias menos vulneráveis, o governo estadual irá liberar até R$ 50 mil para a reconstrução direta das casas, com um total de até R$ 50 milhões provenientes do Fundo Estadual de Calamidade Pública. O recurso poderá ser utilizado na compra de materiais de construção. A prefeitura realiza o cadastro das famílias aptas ao repasse, cujos critérios de acesso serão definidos por decreto.
Serviços essenciais e tarifas reduzidas
Equipes do governo do Estado e de 15 prefeituras da região atuam na limpeza das ruas e remoção de destroços para restabelecer o acesso em toda a cidade.
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) informou que o sistema de abastecimento de água foi restabelecido, mas muitos imóveis ainda apresentam problemas nas redes internas. Por isso, caminhões-pipa continuam operando e copos de água potável são distribuídos aos desabrigados. Nos próximos três meses, a conta de água terá valor simbólico de R$ 1 para todas as residências do município.
Já a Companhia Paranaense de Energia (Copel) mobilizou 200 profissionais e 20 equipes para recuperar os danos na rede elétrica, incluindo a substituição de 300 postes e a reconstrução das redes destruídas. Pontos estratégicos, como hospitais, unidades policiais e serviços públicos, já tiveram o fornecimento de energia restabelecido.