MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa renova recorde e fecha aos 155 mil pontos, com alta de 0,77%

Índice da B3 atinge 11º fechamento recorde consecutivo, impulsionado pelo otimismo externo e expectativa sobre juros

Publicado em 10/11/2025 às 18:55
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O Ibovespa ampliou sua sequência de recordes nesta segunda-feira, 10, acompanhando o movimento positivo das bolsas de Nova York, especialmente do Nasdaq, que avançou até 2,27% após recentes preocupações com uma possível bolha no setor de tecnologia, em especial na área de inteligência artificial. O principal índice da B3 atingiu o 11º fechamento consecutivo em nível histórico, encerrando o dia aos 155.257,31 pontos, com alta de 0,77%. Este também foi o 14º pregão seguido de valorização, aproximando-se da marca histórica de 15 altas consecutivas registrada há mais de três décadas, entre maio e junho de 1994, durante a implementação do Plano Real.

O apetite por risco foi impulsionado pela expectativa de uma solução para o chamado shutdown nos Estados Unidos — a paralisação temporária e parcial de atividades do governo federal por falta de aprovação do orçamento, que pode suspender até o pagamento de servidores públicos. O cenário externo favorável refletiu positivamente no mercado brasileiro ao longo do dia.

"A ausência de dados econômicos relevantes, como os indicadores de preços e do mercado de trabalho nos Estados Unidos, impacta as decisões do Federal Reserve sobre os juros. O mercado temia que, na próxima reunião do Fed, em dezembro, não houvesse condições para um novo corte de juros devido ao 'apagão' de informações oficiais", explica Andressa Bergamo, especialista em investimentos e fundadora da AVG Capital.

Durante a sessão, o Ibovespa oscilou entre 154.058,43 e 155.601,15 pontos — também um novo recorde intradiário —, partindo de uma abertura aos 154.061,18 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,1 bilhões. No acumulado de junho, o índice sobe 3,82%, elevando o ganho no ano para 29,08%, cada vez mais próximo da valorização de 31,58% registrada em 2019.

Marco Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos, destaca que, no período de um mês, a valorização do Ibovespa já supera 10%. Segundo ele, a agenda da semana pode trazer novos catalisadores ou, por outro lado, favorecer uma realização de lucros após a longa série de altas do índice.

"Atenção para a ata do Copom, que será divulgada amanhã cedo, pois pode trazer sinais sobre o futuro da Selic, além da divulgação da inflação oficial de outubro, o IPCA, também nesta terça-feira, 11. Tanto a ata quanto o IPCA podem influenciar as expectativas para o início do ciclo de cortes de juros", acrescenta Noernberg.

Felipe Cima, analista da Manchester, ressalta: "Se o IPCA de outubro surpreender novamente para baixo, é possível que vejamos novas revisões de queda para a inflação no Boletim Focus, o que pode pressionar o Copom a antecipar o início do ciclo de cortes de juros, talvez já em janeiro, em vez de março, como precifica atualmente o mercado".

No pregão desta segunda-feira, as ações de destaque foram Vale (ON +0,66%) e Petrobras (ON +0,88%, PN +0,56%). Entre os grandes bancos, apenas o Banco do Brasil fechou em baixa (ON -0,48%), enquanto Bradesco registrou ganhos (ON +1,56%, PN +1,87%). Entre as maiores altas do Ibovespa, figuraram Lojas Renner (+3,94%), Raízen (+3,57%) e Magazine Luiza (+3,44%). No lado oposto, os destaques negativos ficaram com Azzas (-2,05%), Suzano (-1,93%) e Usiminas (-1,82%).

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