MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros recuam com possível fim do shutdown e expectativa pelo IPCA e ata do Copom

Encerramento da paralisação do governo dos EUA e divulgação de indicadores brasileiros impulsionam queda dos DIs na B3

Publicado em 10/11/2025 às 18:59
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O ambiente externo mais favorável ao risco, diante das indicações de que o shutdown mais longo da história do governo americano pode estar próximo do fim, sustentou a queda firme dos juros futuros negociados na B3 nesta segunda-feira, 10, especialmente no miolo da curva.

De acordo com agentes do mercado, a tendência de recuo observada desde a abertura, inicialmente acompanhando o dólar, foi reforçada pela expectativa de um resultado mais benigno para a inflação de outubro e por possíveis sinais menos duros na comunicação do Banco Central. O Comitê de Política Monetária (Copom) divulga nesta terça-feira, 11, a ata de sua última reunião, no mesmo dia em que o IBGE publica o IPCA referente ao mês passado.

Ao final do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,874% no ajuste de sexta-feira para 13,825%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,068% para 12,955%, marcando a primeira vez em um ano que esse vértice ficou abaixo de 13% em níveis de fechamento — em 11 de novembro de 2024, terminou o pregão em 12,975%. Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2031 atingiu mínima intradiária de 13,250%, vindo de 13,375% no ajuste anterior.

“Todo o movimento dos mercados foi muito pró-Brasil. Parece que é fluxo de fora que está contribuindo com a queda dos DIs”, avaliou Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research, destacando o otimismo gerado pela perspectiva de término da paralisação da administração federal dos Estados Unidos.

Após o Senado americano aprovar no domingo, 09, uma lei que financia o governo provisoriamente até o fim de janeiro, o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Johnson, afirmou que deve contar com os votos necessários para aprovar o projeto que permitirá a reabertura do governo.

Helcio Takeda, sócio e economista da consultoria Pezco, ressalta que, com o fim do shutdown, uma série de estatísticas oficiais americanas, represadas durante o período, será divulgada, trazendo maior segurança aos agentes para prever os próximos passos da política monetária nos EUA — e, eventualmente, reforçar a expectativa de afrouxamento dos juros.

Takeda observa que os vértices futuros de prazos mais curtos cederam menos na sessão devido à cautela do Banco Central brasileiro quanto ao início do ciclo de cortes da taxa básica. Novas surpresas inflacionárias, desaceleração da atividade, apreciação adicional do câmbio e confirmação de flexibilização dos Fed Funds nos EUA seriam possíveis gatilhos para maior alívio dos DIs nessa parte da curva, avalia o economista.

Os investidores estarão atentos nesta terça à divulgação do IPCA de outubro, para o qual a mediana de analistas consultados pelo Projeções Broadcast projeta alta de 0,14%, após avanço de 0,48% em setembro, e também à ata do Copom. Para Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, a expectativa em torno desses dois dados já pode ter contribuído para o fechamento da curva nesta segunda. “Além da melhora externa com o fim do shutdown e da boa performance do câmbio, pode haver alguma aposta do mercado antes da divulgação do IPCA e da ata”, afirmou.

Para Eduardo Velho, economista-chefe da Equador Investimentos, surpresas na variação dos alimentos e bens industriais no índice oficial de inflação podem favorecer apostas de início do ciclo de cortes da Selic já em janeiro. Sobre a ata, Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, destaca que qualquer reconhecimento do Copom de que a inflação projetada para o segundo trimestre de 2027 — atual horizonte relevante para a política monetária — estará “ao redor” da meta pode ser suficiente para o mercado interpretar o documento de forma mais dovish, ou seja, mais favorável a cortes de juros.

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