SEGURANÇA PÚBLICA

Smart Sampa passa a monitorar câmeras do Aeroporto de Congonhas

Sistema de reconhecimento facial amplia atuação em São Paulo e integra 24 câmeras do terminal aéreo para identificar foragidos e reforçar a segurança.

Publicado em 10/11/2025 às 20:35
Reprodução / Agência Brasil

A Prefeitura de São Paulo passou a incluir o Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital, no programa de reconhecimento facial Smart Sampa. Com a incorporação de 24 câmeras, as áreas de embarque, desembarque e espaços públicos do terminal agora são monitoradas pelo sistema. O interior da área restrita, após o embarque, não será vigiado.

O município já monitora os terminais rodoviários da cidade. O objetivo principal da inclusão do aeroporto é identificar foragidos da Justiça. Guardas civis metropolitanos permanecerão no terminal para eventuais prisões.

Apesar de as câmeras já estarem integradas ao sistema, a medida será anunciada oficialmente nesta terça-feira, 11, pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). “É mais um passo importante para proteger a população e deixar claro que São Paulo não é um local para procurados pela Justiça”, afirmou o secretário municipal de Segurança Pública, Orlando Morando.

O Smart Sampa já conta com cerca de 40 mil câmeras — 20 mil pertencentes ao consórcio firmado pela Prefeitura e o restante, a parceiros privados e cidadãos. O sistema utiliza inteligência artificial para identificar eventuais foragidos registrados no Banco Nacional de Mandados de Prisão que sejam flagrados nas gravações.

As imagens também podem ser usadas para registrar crimes. Assim que flagra um suspeito ou um delito, a inteligência artificial avisa a equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM) mais próxima, com base no georreferenciamento das viaturas, e envia a imagem do suspeito.

O programa já contribuiu para a prisão em flagrante de 3.505 pessoas e para a captura de 2.301 foragidos.

Câmeras e inteligência artificial ganham cada vez mais força

Câmeras e IA têm papel crescente na segurança pública, tanto no patrulhamento quanto na inteligência investigativa. Além de flagrar foragidos e crimes, a tecnologia permite rastrear áreas críticas e dinâmicas de gangues, por exemplo.

Monitoramento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) aponta a existência de pelo menos 421 projetos que utilizam técnicas de reconhecimento facial no país.

Um estudo de julho conduzido por esse grupo acadêmico, no entanto, indica que não houve redução significativa de homicídios, roubos e furtos em São Paulo após a instalação do Smart Sampa. A Prefeitura contesta a metodologia utilizada pelo CESeC e afirma que as câmeras auxiliam nas investigações.

Entre as críticas ao modelo, destacam-se identificações imprecisas, abordagens indevidas e o risco de violação à privacidade. O Smart Sampa levou dois anos para ser implementado, após questionamentos de órgãos como o Ministério Público Estadual e outras entidades sobre o edital do sistema.